29 dezembro, 2009

Retro expectativa 2009

Queria lembrar de tudo
Ter a memória boa o bastante
Mas isso é quase impossível
Sei que vai faltar muita coisa importante            

Tudo começa em janeiro
Em São Paulo, Kassab é prefeito
Nos E.U.A, Barack Obama é eleito
E em nossas vidas nenhum grande feito

Logo chega fevereiro
O Brasil está em clima de festa
Só se fala em carnaval o tempo inteiro
E nada mais interessa
O Blink voltou e as aulas também
Foi o mês das voltas
Pelo menos ele é curto, ainda bem

Março chegou sem fazer barulho
Na escola nenhuma conclusão
E no mundo pouca solução
Dia 24, primeiro show do ano
Cantar e se divertir foi nosso simples plano
Mas esse não foi um mês tão bom, vocês lembram o que aconteceu?
É triste lembrar, mas o Clodovil morreu.

Abril já começa com uma mentira
Mas isso é muito relativo
A natureza mostra sua ira
E os terremotos deixam poucos vivos
Vamos comemorar, o big brother acabou de acabar
Mas não fiquem tão animados, pois a fazenda já vai começar
Também teve a páscoa, como pudi esquecer
Amigo chocolate só com seis pessoas, quase impossível de esconder.

Maio chegou rápido demais
Na escola, os trabalhos acumularam
Mas não estávamos tão burocráticas como em tempos atrás
Num dia, Museu afro Brasil pra ver um artista
Noutro dia, correr atrás de um pen drive na Paulista
É, nós não éramos as mesmas
E maio foi bem legal
O Brasil também não era o mesmo
E a Crise econômica chegou de forma brutal

Junho começa com grandes acontecimentos
O blog Heróis e Trapaceiros nasce
E agora dividimos histórias, opiniões e sentimentos
Dia 14, todos se divertem na Parada gay
Dia 25, Michael Jackson morre e todos dão adeus ao rei

Julho é, de fato, o mês mais esperado
Ele vem acompanhado das férias e alguns desejos programados
A internet distrai e o vício se torna oficial
No nosso caso, por exemplo, ele se chama sobrenatural

Agosto é um mês duvidoso
Uns dizem até que o “mês do cachorro louco”
Mas nunca vejo nada tão perigoso
A única coisa assustadora esse ano foi o porco
Pensando bem, deve ter alguma coisa macabra
No dia 8 quase morremos a facadas

Setembro foi o mês da palhaçada
Tanto na escola quanto na política tudo parecia piada
No circo dos engravatados o espetáculo já tinha esgotado
Todos queriam ver “caso Sarney arquivado”
E no circo dos alfabetizados o espetáculo também já tinha esgotado
Todos queriam ver “a democracia e seu novo significado”
Um nariz de palhaço era a resposta pra tudo
Compre o seu e finja-se de surdo e mudo
Contudo, dizem que o bom da vida é que existe o dia de amanhã
E no nosso caso tudo se resolveu no show do Forfun

Outubro vem cheio de esperança
Setembro foi tão ruim que dele só queremos distância
Os trabalhos da escola estavam diferentes
Anhangabaú e Pinacoteca,
As idas ao centro se tornaram freqüentes
Enquanto isso, o Brasil aplaude, o Brasil comemora
2016 Olimpíadas no rio e 2014 a Copa
Gerar empregos e desviar mais verbas
Vamos correr para reestruturar um país
E quem sabe tira-lo da merda

Novembro chega com descobertas
O pré-sal é a nova sensação
O lucro é prioridade e foda-se a emissão
Na zona sul de São Paulo, um vídeo é divulgado
Alunos destroem escola e professores ficam desesperados

Dezembro chega antes da hora
Tudo acontece ao mesmo tempo e estou perdida até agora
Muitas expectativas frustradas
As férias não são as melhores
E a COP 15 não deu em nada

O tempo passa rápido
As férias vão acabar
E voltaremos a rotina que tanto amamos odiar
As eleições também estão chegando
Não esqueça de pesquisar e questionar
Pois nós é que devemos fazer tudo mudar

Acontecimentos mundiais e pessoais 2009 acabou
E hora de usar o adjetivo “próspero”, pois 2010 chegou.

Feliz ano novo!

Arte de sobreviver

Medo no olhar,
Sangue fervendo
Palpitações fortes.
Uma correria sem fim.
Bocas para alimentar
Desonestidade no ar
Injustiças aos montes.
Gritos de alerta: "Olha o rapa"
É a hora do mais forte

"Eles vem com fogo em cima é melhor sair da frente,
Tanto faz ninguém se importa se você é inocente"

Olhares de indagações, frustações e receio.
"São essas lojas, usurpadoras"
A senhora reclama.
Enquanto eles voltam sorrindo
O medo escorre por suas faces,
A sua força de vontade o encoraja
A espreita alguém pergunta: "Eles já foram?"

Seu olhar aflito, agora só observa uma foto
Uma criança a sorrir.
Ele devolve o sorriso aliviado.
Nem todos aqui são ladrões, ele pensa.


É a hora do mais forte!



Trecho de Veraneio Vascaina - Capital Inicial.

28 dezembro, 2009

Aproveite a noite

Essa é uma versão um pouco macabra diferente da história anterior.

Final de dezembro. Era madrugada de sexta, as ruas estavam vazias; muitos viajaram e a chuva de verão espantou o restante. Exceto Charlie que cantarolava uma música estranha no ponto de ônibus. Ele estava vestido com uma bermuda escura e uma camisa xadrez vermelha, o que deixava evidente que não vinha do trabalho; carregava uma mochila nas costas, o que levantava  a possibilidade  dele estar voltando de um passeio. Ele olhava para os lados calmamente, já era tarde e não passaria nenhum ônibus por ali e ele parecia saber disso, porém continuava a olhar ao seu redor, talvez esperasse os ônibus voltarem a rodar ou apenas aguardava um amigo. Pouco tempo depois, avistou duas sombras ao longe, enquanto elas se aproximavam ele esboçava um sorriso, de certo devia conhecê-las. Eram dois homens, um era moreno e alto e outro era loiro e um pouco mais baixo. Eles conversavam alto e andavam devagar. Quando chegaram ao ponto, encararam Charlie com certa surpresa, mas não pareciam conhecê-lo e então perguntaram:
- Você sabe que não passa ônibus aqui a essa hora, não é? – o moreno perguntou
- Sei sim, estou esperando um amigo! - disse-lhes num tom indecifrável.
- Está bem, então nós já vamos. Tchau!– o loiro disse de repente                 
- Esperem! Como vocês se chamam?
- Tom – disse o moreno
- E eu sou Pedro – disse o loiro
- Ok. Eu sou Charlie
Eles se afastaram, Tom acenou para Charlie que apenas assentiu com a cabeça. Naquele momento a cidade ganhava um clima diferente, uma certa agonia. Involuntariamente, Tom e Pedro começaram a andar mais rápido, mas continuavam conversando alto. Passaram por outro ponto e lá estava Charlie, eles ficaram espantados e perguntaram:
-  Como você chegou aqui tão rápido? – Tom disse tentando conter o medo na voz
- Cortei caminho, estou esperando um amigo.
Pedro finalizou o assunto e saiu andando com Tom. Eles foram caminhando e passaram por outro ponto e lá estava Charlie de novo, e sempre que indagado respondia que estava a espera de um amigo. Tom achava que eles estavam tendo alucinações, e então resolveu atravessar a avenida e ir para um lugar que ele conhecia. Eles passaram por mais dois pontos e Charlie não estava lá, de fato eram alucinações. Quando passavam por uma ponte viram uma pessoa agachada no chão, ela  se levantou dizendo alguma coisa inaudível enquanto ameaçava pular da ponte. Pedro reconheceu a pessoa e gritou:
- Charlie, não faça isso!
Charlie se virou sorrindo e disse:
- Meu amigo está me esperando.
Tom tentou correr e impedir, mas não chegou a tempo. Charlie se jogou e não tinha nenhum vestígio. Pedro percebeu que tinha algo escrito no chão: Carpe Noctem*. Os amigos se entreolharam e correram. O sol estava nascendo e eles estavam cansados. Chegaram no ponto e lá estava Charlie.

* Carpe Noctem: aproveite a noite em latim

Aproveite o acaso

Final de dezembro. Era madrugada de sexta, as ruas estavam vazias; muitos viajaram e a chuva de verão espantou o restante. Exceto Charlie que cantarolava uma música estranha no ponto de ônibus. Ele estava vestido com uma bermuda escura e uma camisa xadrez vermelha, o que deixava evidente que não vinha do trabalho; carregava uma mochila nas costas, o que levantava  a possibilidade  dele estar voltando de um passeio. Ele olhava para os lados calmamente, já era tarde e não passaria nenhum ônibus por ali e ele parecia saber disso, porém continuava a olhar ao seu redor, talvez esperasse os ônibus voltarem a rodar ou apenas aguardava um amigo. Pouco tempo depois, avistou duas sombras ao longe, enquanto elas se aproximavam ele esboçava um sorriso, de certo devia conhecê-las. Eram dois homens, um era moreno e alto e outro era loiro e um pouco mais baixo. Eles conversavam alto e andavam devagar. Quando chegaram ao ponto, encararam Charlie com certa surpresa, mas não pareciam conhecê-lo e então perguntaram:
- Você sabe que não passa ônibus aqui a essa hora, não é? – o moreno perguntou
- Sei sim, estou esperando os ônibus voltarem a rodar! - disse-lhes calmamente
- Mas ainda faltam umas três horas. Por que você não vem conosco? – o loiro indagou de repente
Depois de um breve momento ele concordou. Os três saíram andando e em pouco tempo já estavam rindo. Eles conversavam o tempo todo. O moreno se chamava Tom e o loiro Pedro. A rua continuava vazia e os comércios fechados, naquele momento a cidade era deles. Eles beberam, cantaram e correram até que caíram na calçada. Ainda gargalhando, eles sentaram num degrau e começaram a conversar. Tom perguntou a Charlie:
- De onde você estava vindo? – disse com uma leve ansiedade
- Eu vim de casa – disse entre soluços – estava sufocado, aí eu me perdi e... é uma longa história e eu não estou são o bastante pra lembrar. – disse rindo
- Mas pra quê a mochila? – Pedro indagou
- São livros, tinha que trazer passatempos. As pessoas viajam no fim do ano, como eu ia adivinhar que eu encontraria duas pessoas mais loucas do que eu; aliás, e vocês para onde iam? Ou de onde vinham? – indagou Charlie com súbita curiosidade
- Eu não tinha nada pra fazer e peguei o primeiro ônibus que passou perto da minha casa, desci em qualquer ponto e vim andando até chegar aqui!- Pedro respondeu calmamente como se isso fosse sua rotina.
Os outros se entreolharam e sorriram
- Bom, eu estava voltando da casa dos meus tios e parei para descansar até que encontrei esse louco no caminho – Tom disse apontando para o Pedro.
Eles continuaram conversando, discutindo as casualidades e rindo das coincidências. O tempo foi passando e  eles acabaram dormindo na rua mesmo.  sol nasceu e as pessoas voltavam a circular. Charlie foi o primeiro a acordar, deixou um bilhete e voltou para o ponto. Tom acordou logo em seguida e fez o mesmo. Quando Pedro acordou leu os bilhetes e sorriu, pegou uma pedra no chão e escreveu no primeiro degrau: "viva de instantes, aproveite o acaso". Largou a pedra e foi embora. O sol se pôs e a chuva de verão apagou as escritas.

22 dezembro, 2009

Perda

"Mais uma vida jogada fora
Um coração que já não bate mais
Descanse em paz
Sonhos que vão embora antes da hora
Sonhos que ficam para trás"

A tristeza invadiu brutalmente aquele lar
Toda esperança fora substituída pela mais profunda dor
A indignação não deixa descansar
As lágrimas não se deixam cessar
E tudo que resta é pavor

Nada alivia esse sentimento
"A esperança que ele esteja bem seja onde for
Não diminui o vazio que ele deixou"
A dor não tem tratamento
E a morte não tem volta, tudo acabou

Tudo era melancolia
Todo sofrimento era intenso
Toda lembrança ardia
Toda lembrança era um tormento

As lágrimas não cessam
E as feridas estão abertas
As lágrimas não cessam
E a esperança é incerta.

Trechos de Pra onde vai - Gabriel, o pensador

20 dezembro, 2009

Christine

Ainda cheirava a sexo e a tabaco cubano.
Naquela noite Christine estava decidida a esquecer suas lembranças perturbadoras, queria apenas se entregar. Alguma distração provisória. Entrou em um bar por impulso, queria tirar aquele gosto amargo da angustia que percorria sua garganta e logo pediu uma dose de martine puro.

Ficou a observar as pessoas no bar como um assassino a escolher sua vitima. Fitou-os bem nos olhos, como se pudesse ler sua alma, os decifrando. Por alguns instantes sentiu – se ridícula, uma puta vulgar. Sabia que estava vulnerável e que isso resultaria em grandes arrependimentos, mas resolveu arriscar, afinal já não lhes restava dignidade o bastante.

Levantou-se e foi diretamente no homem que a observara desde a sua entrada. Presa fácil, ela pensara. Naquele momento Christine sentia-se poderosa, desejada o suficiente. Aquele sempre fora o seu objetivo.
E se entrelaçaram ali mesmo, em um pequeno quarto vago aos fundos do bar. Sua sede insaciável a fez repetir varias vezes. O estranho agora dormia agarrado a ela que fingia o mesmo. No rosto um sorrido estampado, como de uma missão cumprida. Aquela fora sua primeira vez no jogo.

18 dezembro, 2009

Fotografia

Quadrados ilustrados são tudo que vejo
Pessoas e coisas são tudo que eles ilustram
Talvez as formas ofusquem os anseios
Ou o espectador esteja deixando que eles fujam.

Paisagens bonitas e pessoas sorrindo são o que eu entendo
Mas cores escuras, sombras e ângulos diferentes
Ah, esses me confundem a todo o momento

Sou literal demais
O abstrato e o subjetivo me irritam
Sei que há algo por trás
Mas nunca está ao alcance de minhas vistas

O tempo me faz parar e enxergar
Vejo que há sentimentos
Aqueles quadrados antes tão vazios
Agora ganham fundamentos

A convicção me desperta um desejo
Não deixarei que as possibilidades fujam
Quadrados ilustrados são tudo que vejo
Pessoas e coisas não são nem um terço do que eles ilustram.

14 dezembro, 2009

Ocasionalmente

A cor era cinza
Algumas frestas de luz ao fundo
Um único som vazava pelos meus ouvidos
Um movimento traiçoeiro
Algumas historias no ar
Vontades a mais
Reações contrarias
Um rápido cortejo
Corpos a trafegar
Bebidas ao chão
Uma gota a deslizar
Sapatos nas mãos, sapatos nos pés.
Cheiro de redenção
Estradas marcadas
Sinais de alerta
Marcação acirrada
Som de despedida
Passos forçados
Um sorriso escondido
Sentidos aguçados
Sonhos interrompidos
E apenas uma certeza...
A lua brilhava mais do que nunca.

08 dezembro, 2009

Compromisso

Era fim de tarde, a noite caía e um homem caminhava pela estrada, estava sério e vestia um terno escuro. Seu semblante era tenso, agoniado. Seu olhar era de angústia e dor profunda, parecia sufocar. Andava rápido com passos largos e firmes, tinha um compromisso. O tempo não ajudava, as nuvens se formavam e o vento ficava forte. Mas toda aquela dor escondia sua forte determinação, ele não ia desistir, era sua última chance. Estava concentrado, fitava seu destino como se nada mais importasse, nada mais existisse. Seu trajeto já durava 3 horas, a ventania era cada vez mais forte e o homem lentamente perdia suas forças. Toda sua persistência dava lugar a mais pura melancolia. Agora tudo era escuro, o homem se arrastava para o vazio. O cansaço era evidente e a decepção também, sentia sua última chance escapando entre os dedos. Caiu de joelhos no nada e fechou os olhos, quando os abriu de novo conseguiu enxergar o que estava a sua frente, e subitamente uma lágrima escorreu por seu rosto. Ele estava numa praia, era simples e exatamente o que ele precisava. Seu rosto ganhava vitalidade, seu olhar era como o de uma criança, a euforia o dominava. Começou a se despir e correu para o mar, mergulhou e flutuou. As ondas levaram toda sua dor e trouxeram a serenidade que tanto precisava. Ele, definitivamente, se libertou; esqueceu de tudo e lembrou-se do mais importante: aquele era seu compromisso. O vento levou as nuvens. Estava amanhecendo, o sol começava a se pôr e um homem caminhava pela estrada, estava tranquilo e vestia um terno molhado.

04 dezembro, 2009

Dia do alívio

Não havia novidades no calendário
Era um dia como todos os outros
Só o nosso convívio diário
e algumas conversas pra loucos

Todos estavam se distraindo
Todos estavam sendo legais
Nós estávamos apenas rindo
Parece até que o tempo passou rápido demais

É, o tempo passou rápido
E nós continuávamos no mesmo lugar
É, o tempo passou rápido
e ninguém mais estava lá

E então o boça um herói veio nos fazer companhia
Igualou-se, e sentou ao nosso lado
Humildemente contou sua sabedoria
e assim soubemos que o "dia do alívio" tinha chegado

A conversa fluía
E o desabafo era mútuo
Todas aquelas palavras que nos corroia
Finalmente saíam do oculto

A troca de idéias foi completa,
E todos os assuntos tinham uma ligação
A bajulação foi discreta
E todas as dúvidas tiveram uma explicação

"Nem alegria e nem tristeza,
Foi o dia do alívio “

Pretos e brancos se combinam

Eu nasci em um mundo suspeito
Onde cor valia mais que respeito
Até a policia chegar e fazer do seu jeito
Sem falar nos direitos
Disseram que nunca seria aceito

Caminhando por um beco estreito
Construindo o meu conceito
Via-me satisfeito
Tirando qualquer proveito

Até me chamarem de ladrão
Dizer que eu sou cuzão
Que nunca faria parte do povão
Sobrava-me indignação

Tiraram o meu ganha pão
Jogaram o meu nome no chão
Cuspiram humilhação
Dizendo que NEGRO de nada vale não.

Mais sigo em frente
Porque também sou gente
Um componente
De mente ciente

Continuo competente
Nada que me torne diferente
Essa escoria deprimente
Deixa tudo mais evidente

Minha raça descendente
Mostra-se de forma benevolente
Toda a minha reluzente
Energia incandescente
De se sentir LIVRE!

27 novembro, 2009

Cronômetro

Ansiedade 
Essa tortura que é constante
Seu olhar parece alcançar a imensidão
Movimentos cruciais
As horas parecem parar
E o ar... Ah, ele parece faltar.

As sensações são múltiplas
E o colapso dificulta
É como se perder em pequenos trechos vitais.
Suas vísceras parecem pestanejar
O ato é costumeiro,
Regido por ações não substanciais

Tome mais um gole
E se sinta flutuar
As lições são as mesmas
Então escolha a sua tortura
Até o relógio despertar.

24 novembro, 2009

Viva as vivências

A mudança é permanente
E olhar é distraído
O mundo não é sua mente
Não olhe só para frente
Não se mantenha tão comedido

A mudança é constante
E olhar é influenciável
O mundo precisa de um ser pensante
Deixe de ser um livro preso na estante
Antes que isso se torne inevitável

O olhar é distraído
E a mudança é permanente
A vida não é feita só de um ruído
Apenas seja mais contente

O olhar é influenciável
E a mudança é constante
Faça algo notável
Viva de instantes

As coisas mudam quando menos se espera
O problema é que nunca estamos esperando
Os problemas vêm e vão antes da primavera
E as alegrias também vão passando

A mudança é permanente
E o olhar é distraído.

Aos mestres

Há algo novo em meu rosto, mas não tenho tempo pra descobrir o que é. Hoje é o dia marcado, temos que nos preparar. Muita coisa em pouco tempo. Passada a correria, tudo está pronto, mas a ansiedade não nos deixa descansar, revisamos cada detalhe. A hora se aproxima e os risos ficam histéricos; a imaginação fértil satiriza a realidade, mas nem esses devaneios nos desconcentram, estávamos realmente prontas.

É chegada a hora, e eis a grande surpresa do dia: nada acontece. Exatamente nada. Uma hora de espera e nenhuma mísera explicação de nossos queridos “mestres”, aliás, como pudi esquecer, tivemos sim uma explicação; uma explicação estúpida e decorada por um personagem secundário, um verdadeiro insulto a nossa inteligência. Apresento-lhes agora nossa democracia, democracia na qual participamos obedecendo, reverenciando e nos calando. Democracia em que somos obrigados a ter compromisso, enquanto eles só estão fazendo um favor. Democracia na qual o problema é resolvido sem a opinião dos mais prejudicados. Democracia em que simplesmente não temos direito de saber.

Há algo novo em meu rosto e em todos os outros ao meu redor. Não consigo identificar, acho que estou tonta. A falsidade é tóxica, a hipocrisia é corrosiva e a decepção inflamável. Um espirro vem a tona, e é quando eu finalmente descubro a novidade em meu rosto: uma bola vermelha na ponta do meu nariz. Bem vindo ao circo dos alfabetizados.

23 novembro, 2009

Acrescente gelo em uma dose de suicídio

Seu status era de inconsciência.
O prontuário dizia que havia entrado em coma.
Foi jogada em uma sala qualquer, completamente sozinha.
A luz que mal se mantinha acessa; piscava,
dando um ar ainda pior ao ambiente, que cheirava a desespero e analgésicos.

Seu status era de inconsciência.
Fora encontrada desmaiada dentre copos de wisky barato e fotografias antigas.
Seu corpo estirado no chão da sala demonstrava toda a sua vulnerabilidade.
E aquela expressão...

Seu status era de inconsciência.
Voltava para casa em estado de declínio mental.
Em sua face escorriam lágrimas negras.
Carregava algumas decepções, derramando algumas tragédias a mais.
Cheirava a bebida e a negações; expectativas mal sucedidas.

Acabara deixando cair uma antiga fotografia,
que continha uma inscrição meio borrada que dizia:
“Eu não consigo mais fingir, me desculpe”.

Seu status era de inconsciência...
A maquina agora fazia um só barulho que se tornara constante.
Seu coração havia parado.

18 novembro, 2009

O maior dos escudos

Ele é inteligente, comandante de todas nossas ações, o receptáculo inesgotável do nosso conhecimento; realmente o admiro, mas como ele pode suportar tanta ignorância e futilidade. Tenho dó, ele não pode sucumbir, é forçado a aguentar. Meus pêsames, querido cérebro.

14 novembro, 2009

A subjetividade de estar vivo

“Há um naufrago no mar”.
Gritava um marujo que averiguava o navio, perturbando a silenciosa noite que era banhada pela luz da lua e toda a sua graciosidade. E o marujo continuara a gritar: “Há um naufrago no mar”. Seus gritos de socorro pareciam adentrar a calada da noite e fazer parte dela, assim não fazendo nenhuma diferença. Seus companheiros nem se moveram, seu barulho se tornara inaudível.

O marujo havia avistado um homem dentro de um bote, aparentava ter vestes surradas. Logo o marujo associou que ele estava há muito tempo no mar. Seu desespero foi de imediato, tentou algum tipo de comunicação com o naufrago e todas as suas tentativas foram falhas. Nenhum barulho, nenhuma resposta, nem mesmo uma olhada. O naufrago permanecia o mesmo desde a sua aparição, de olhos fixos, mais precisamente voltados para o espaço.

O marujo percebeu então que o naufrago não clamava por socorro, não parecia incomodado, ele apenas fitava a imensidão do céu, as estrelas e a lua com um olhar incógnito, misterioso. O marujo se calou por alguns instantes pousando seu olhar no naufrago, o analisou de cima a baixo e ficou esperando qualquer tipo de reação. Alguns minutos se passaram, e apesar do cansado o marujo ainda queria decifrá-lo, havia algo muito estranho naquele homem, e ele tinha que descobrir. O marujo sempre fora um homem muito “incucado” com as coisas, sempre querendo achar razões e explicações, e não havia ninguém que o convencesse do contrario.

As horas haviam passado, e a sua visão estava cansada, seu corpo pedia um leito confortável para dormir, mais sua mente o forçava a continuar ali. O marujo estava decidido a abandonar seu posto, achou que fosse algum devaneio que sua mente o aprontara. Compôs-se, esticou os ossos e deu um pequeno adeus para o naufrago, virando-lhes as costas, ele ouve um longo assovio, quase cantarolando a musica que havia o deixado louco todo o dia, repetindo-se incansavelmente em sua mente. Voltou a olhar o mar a procura do Naufrago, até avistá-lo mais ao longe, em cima do bote acenando para ele. Ficou estagnado, sua visão agora começara a embaçar, até não poder ver nada a sua frente.

O naufrago havia dormido, sonhara mais uma vez com sua ultima viagem, voltando sempre para o mesmo lugar.

10 novembro, 2009

Preso na garganta

Todos aqueles pesadelos antigos
Se rebelando contra mim; todos eles.
Antigas frustrações agora me perseguem,
Tentando arrancar algumas verdades.

08 novembro, 2009

Intervalo

15h. Intervalo. Talvez a pior parte do dia. Todos estão no mesmo lugar, compartilhando o mesmo espaço e divididos em seus grupinhos medíocres. E eu continuo aqui, apenas os observando. Todas aquelas expressões e atitudes eram distintas, cerca de 30 olhares e todos eram claramente diferentes. Talvez por isso todos eles me pareciam falsos. Pessoas se adaptando e fingindo estar bem. Máscaras de caráter e opiniões socialmente “agradáveis”. Afinal o que, de fato, é a adaptação? Uma fuga de sua personalidade ou apenas um modo de “sobreviver”? Afinal o que é, de fato,a adaptação? Uma escola para hipocrisia ou um mecanismo de defesa?
15h30. As dúvidas persistem. O intervalo chega ao fim. Os números rapidamente substituem as interrogações.

Tempestade de possibilidades

Se a chuva fosse de cores
Será que ficaríamos mais alegres?
Mas e se fossemos de açúcar
Será que a chuva adiantaria?

E se o vento fosse de possibilidades
Será que seríamos mais loucos?
Mas e se fossemos cinzas
Será que o vento nos acharia?

E se os raios fossem medalhas
Será que seríamos mais confiantes?
Mas e se fossemos um poste
Será que os raios nos acertariam?

E se o granizo fosse de bom senso
Será que seríamos menos hipócritas?
Mas e se fossemos água
Será que o granizo nos ajudaria?

E se toda essa tempestade acabar
Será que iremos evoluir?
E se estivermos em casa
Será que a tempestade vai nos atingir?

A tempestade está onde você quer que ela esteja
Não abra o guarda-chuva
Não somos de açúcar,
e se fossemos, o suicídio seria muito mais fácil

29 outubro, 2009

Um rabisco

Há um quadro branco nessa história
E entre idéias e risadas há um rabisco
Há um rabisco nessa história
E, no momento, essa é a única música do disco

Agora estou perto e vejo o quanto isso é horrível, sujo, vil
Agora estou perto e sinto raiva, decepção e dor
Agora nada mais importa, o erro foi sutilmente hostil
Agora nada importa, tudo está sem cor

Há um rabisco nessa história
E um apagador não vai adiantar
Há um culpado nessa história
E ele não está disposto a falar

Agora estou longe e vejo as particulas se separando
Agora estou longe e sinto culpa, arrependimento e confusão
Agora tudo é extremo demais, parece que nada está adiantando
Agora tudo é extremo e isso não é uma opção

Há um culpado nessa história
E ele não é de carne e osso
Há um quadro branco nessa história
E espero que ele nos tire do poço

Agora estou parado e vejo o quão minusculo esse rabisco é
Agora estou parado e penso como chegamos até aqui
Agora nada faz sentido, as conspirações são irônicas demais
Agora nada faz sentido, queria voltar atrás

Há um rabisco nessa história,
e eu simplesmente não sei porque.

24 outubro, 2009

Desvio mental

O vento soprou na direção errada
agora os náufragos buscam refúgio
O desvio de atenção parece agradável
Não há riscos e todos tem "final feliz"
De fato, a ilha da alienação está se expandindo

Sorrisos costurados, felicidade ilusória
Olhos e bocas tapados,
cegos e mudos em grande escala
As mentiras estão sendo distribuídas,
Corra e escolha a que mais gosta!

21 outubro, 2009

Atos Impensados

Aquela noite não fora nada fácil a Mary, que horas atrás discutia com John, seu namorado. Discutiam sobre o fato de Mary estar grávida. Aquilo tudo nunca fora planejado pelo casal, e logo isso se tornara uma péssima idéia. Eles não estavam preparados para ter um filho, às vezes mal se viam. Era um fardo muito grande, muita responsabilidade para os dois. Após muita gritaria o silencio dominou a sala, ambos agora se olhavam. John sabia que Mary não poderia ter aquele filho sozinha, ela não conseguiria, também sabia que não conseguiria manter uma família, não agora. John abaixou a cabeça fazendo sinal de negação, ergueu os olhos na direção de Mary, observou-a por um tempo com um olhar intimidador, indeciso. Ele havia achado uma saída, uma que sua mente não poderia aceitar, mas que seria o único jeito de “consertar” as coisas. Mary ansiando reposta, logo bradou: 
- John... Diga-me, o que faremos agora?

John vendo se sem saída, logo disse a solução num tom firme e rápido:
- Aborto. É, isso... Você abortará. Eu arranjarei tudo, não se preocupe amor.

Seus olhos agora inundavam se. Mary nunca fora a favor do aborto, achava isso cruel, desumano. Tentou relutar, gritou aos montes. Sentia-se fraca. Aquilo era um caos. Ajoelhou-se e chorou como jamais havia feito antes, John logo a abraçou acariciando os seus cabelos, e a envolvendo em seus braços fortes ele sussurrou em seu ouvido:
- Nós ficaremos bem, tudo vai dar certo.

Deu um beijo em sua testa, pegou o casaco em cima do sofá e saiu. Mary ficou ali, apenas tentando entender o que acontecera minutos atrás. Ela não queria aceitar o aborto, mas não deixava de pensar que era uma boa opção. Afinal ela sabia que ter esse filho agora só a afundaria, ela não teria como supri-los. Seu salário era à conta das despesas, mal dava para ela manter se. Sabia que John sempre fora um covarde, e que jamais a ajudaria.

John finalmente voltara, estava ofegante sem nada em mãos. Ele havia decidido ter o filho, percebeu que poderia tentar arriscar constituir uma família, e que faria o possível para que conseguissem viver bem. Todo aquele sentimento de culpa o matava por dentro. Quando John adentra o apartamento de Mary depara se com a imagem de sua namorada pendurada ao ventilador. John fica estupefato, seus olhos tentam não acreditar no que vê. Seu coração acelera de forma assustadora. Seus olhos lotavam-se de lágrimas e logo caiu aos prantos.

Seus pés não tocavam mais o chão, seu pescoço sangrava. Seu corpo ainda estava quente, mais seu coração havia parado há poucos minutos. Mary havia se suicidado.

19 outubro, 2009

Recomeço diário

A noite chega e o dia recomeça em minha cabeça. Revivo cada momento acrescentando ação, comédia e às vezes terror. Observando as possibilidades, coincidências, erros e acertos. É uma espécie de filme diário da sua vida, mas você é só o telespectador assistindo à sua própria atuação. A insônia não te deixa mudar de canal, o seu curta-metragem é a única coisa que te distrai. Não se pode mudar o que realmente aconteceu, mas de alguma maneira essa inércia lhe prende a atenção. Os minutos são longos, o tempo não passa, o filme se repete constantemente; mas pra você tudo é novo. Os detalhes são notados lentamente, e surpreendem a todo tempo. O filme recomeça com um tom diferente, mais lento; enfim a inconsciência apaga a luz.

13 outubro, 2009

Cheirava a indignação

O andarilho voltara.
Essa era a noticia que corria pela cidade. E logo os comentários foram crescendo. Espalhando-se furiosamente. Com passos firmes e rápidos, ele andava por entre todas aquelas pessoas com um sorriso perturbador no rosto, como se estivesse dizendo: "eu os matei e faria tudo de novo".
As lembranças da realização de sua vingança o cegavam de prazer.

As pessoas olhavam com medo e curiosidade.
Algumas fechavam a janela o mais rápido que podiam, outras pegavam suas crianças desesperadas, fugiam. Ele continuava a andar sem medir passos, esbarrando nas coisas como se não estivesse as vendo ali. Alguns curiosos fitavam-no de longe, queriam decifrá-lo, afinal os comentários eram muitos e todos queriam saber o que havia realmente ocorrido com ele. Mal sabiam que ele voltara de uma longa jornada de vingança, sangue e devastação.

Enquanto ele passava, estranhamente, aqueles que se atreviam a olhá-lo viam passar em suas retinas as frescas imagens dos fatos ocorridos anteriormente.
O andarilho a chegar em uma cidade aparentemente normal, com casas mal construídas, e pessoas a correr pela rua. Viram-no adentrar um bar com fúria, todos os presentes agora olhavam para ele, com um ar de desconfiança e receio. Havia chamas em seus olhos, a expressão em seu rosto denunciava toda a sua raiva. Ele procurava o tal Hipócrita, cheio da soberba. Algumas pessoas intimidadas apontavam a direção ao andarilho.
Agora os dois encaravam se. A sala logo ficou vazia, sobrando apenas o cheiro forte de suor e bebida a infestar o local.

Um forte flash estourou em suas mentes, a expressão de medo agora invadira as suas faces. E a única coisa que ouviram ao afastar se foi o barulho da soberba voando pelos ares.
O andarilho havia partido, mas no ar ainda residia aquele cheiro de sangue fresco e ódio.

12 outubro, 2009

Ordem natural das coisas

Pés no chão,
Lâmpada no teto,
Relógio na parede

Pés em movimento, música contagiante,
Instinto predominando, pensamentos distantes

Pés no alto, alegria concreta,
Euforia completa, um pulo qualquer

Corpo no chão, dor indiferente,
risos no ar, um tombo sem querer

Pés no chão, sujeira no chão,
vassoura na mão, começa o dever

Lâmpada no teto, lâmpada apagada,
a escuridão predomina, um coração dispara

Relógio na parede, o tempo passa lentamente,
tudo fica imóvel, a tensão é latente

Coragem no chão,
Medos no teto,
Imaginação na parede

Coragem em movimento, silêncio contagiante
Instinto predomina, pensamentos distantes

Imaginação na parede, os devaneios começam,
A tensão se quebra e os medos terminam

Pés no chão, relógio na mão, o instinto a domina
Pés correndo, relógio no ar, tudo ao mesmo tempo, a lâmpada cai
Enfim tudo se quebra.

10 outubro, 2009

Bingo!

Desejos e idéias reunidos em quatro mentes diferentes. Ideais de longa data prontos para serem expostos. Um nó na garganta pronto para ser desfeito. Naquele momento, planos e possibilidades preenchiam nossa imaginação. Sabíamos tudo que tinha que ser dito, mas a proximidade da hora apagava lentamente nossa memória.
Risos de desespero, nervosismo e muitos devaneios nos faziam companhia. Enfim é chegada a hora.
O compreensivo, a novata, a quebra-galho, o “amigão”, o indiferente e o extremamente irônico; quase todos estavam lá. Os líderes da semana, agora todos juntos. Mesmo com exceções, o ar dissimulado e hipócrita era forte, insuportável. Os olhares nos fitavam de maneiras distintas, desde a indagação até o cinismo. Isso era irritante e perturbador ao mesmo tempo.
Chegamos atrasadas, ninguém nos ouviria. Estávamos em uma espécie de jogo em que os números são prioridade. Esse, definitivamente, era o único interesse daquelas pessoas. Queríamos reivindicar algo importante, mas não importante o bastante para que toda aquela burocracia nos ouvisse. O nosso erro foi esperar e o deles foi nos limitar. Somos números, e perante a sociedade nunca sairemos dessa condição. Somos números, por favor, alguém grite “Bingo!”

07 outubro, 2009

Teatro do acaso

É sobre essa ideia de desconstruir o real. Reconstruir a trajetória.
Observar o que "não" deveria estar ali, e dar significado a eles.
Eles viram a cidade crescer, a tecnologia padronizar e o capitalismo dominar.
Eles viram tudo, mas nem todos os viram.
Enquanto um tem a fama o outro tem a história.

Entre algumas discussões sobre o que fazer com uma máquina, algumas divergências,
Avenidas conhecidas e praças movimentadas, eles nos viram.
Dentre todos aqueles esquecidos também os avistamos.
Em meio a todo aquele caos, eles permaneciam como cinzas ao vento.
Fixos e sem nenhum nexo. Presos ao segundo plano.

Procurávamos algo diferente, complexo,
Mas a essência era o que eles continham, algo além da visão.
Todo o peso da verdadeira idade.

Os vimos como uma boa saída, ou melhor uma oportunidade.
Eles nos passaram a inspiração necessaria para todos os nossos devaneios.
Naquele momento prédios antigos pareciam uma boa resposta.

*Trabalho de artes

04 outubro, 2009

Aqui vamos nós...de novo

2 de outubro de 2009. Uma esperança renovada e muitas promessas a caminho.
Vamos analisar a situação e considerar todos os aspectos
As vantagens e desvantagens estão evidentes, as opiniões estão divididas.
Mas nada que discutirmos irá alterar os fatos. Tudo já foi decidido. Então vamos lá.
Vamos reconstruir um estado em menos de sete anos só pra fazer “bonito” para o resto do mundo
Se esse é o único jeito deles investirem, continuaremos.
Porém sejamos conscientes, essa não é a primeira vez.
Abra os olhos, não se iluda.
Essa não é a salvação.



"Ó Cristo Redentor, braços abertos,
Não deixe o som dos tiroteios sufocar nossos versos "
.

Maldita ética

Insultos cuspidos, suposições inúteis, acusações infantis.
Adjetivos toscos e pronome errado.
Visto de longe se assemelha a uma seta apontando para a direção contraria
Visto de perto logo se reconhece o caminho,
inevitavelmente é o mesmo que todos usaram
Na verdade é só um atalho, mas é impossível provar.
É irritante tentar provar.
Quem sabe um dia seu ego adormece e sua consciência te mostra a verdade.

03 outubro, 2009

Revolução

(latim revolutio, - onis).
  1. Fig. Revolta, sublevação.
  2. Mudança brusca e violenta na estrutura econômica, social ou política dum Estado.
  3. Reforma transformação, mudança completa.
  4. Perturbação moral, indignação, agitação.
  5. Náusea repulsa, nojo.
  6. Modificação em qualquer ramo do pensamento humano

30 setembro, 2009

Declaração de (in)dependência

Já estávamos cheias. Aquela situação já se perdurava por tempo demais, aliás por nossa vida acadêmica inteira.
Numa quinta-feira normal como todas as outras, todos se concentravam em sua própria futilidade. E então ela entrou, despercebida, tentando ocupar seu lugar naquela hierarquia, mas nada conseguiu, acabou exalando todas suas frustrações. Seguiu a aula com gritos, ameaças e pedidos de atenção; porém uma proposta súbita chamou a atenção da burocracia.Ela lhes oferecia nota em troca de autoridade. Enquanto isso, assistíamos a toda aquela situação incrédulas. Éramos o polígono oco da cena.
Já estávamos cheias. Aquela situação já se perdurava por tempo bastante. Toda aquela satisfação pré moldada era o ápice do comodismo crônico e hereditário.
Dentre todo aquele trânsito de cadernos, nos tornamos espectadores, decidindo virar a esquerda. Nossa atitude lhes pareceu sem sentido, mas silenciosamente gritávamos para seus egos inatingíveis:
- Sem sentido é afirmar que sua cópia vale mais que o nosso conhecimento.
Dentre todo aquele distúrbio mental a única frase que nos calou foi:
- Vai explicar?
- Não, vou passar a resposta de vermelho!

22 setembro, 2009

Indagações ao vento

Quantas personalidades têm sua personalidade?
Quantos caminhos certos você já seguiu?
Afinal, quantos caminhos há nessa cidade?
Quantas histórias você já ouviu?

E quem escreveu sua história?
O que tem além da sua aparência?
Quem vai ler sua história?
Quem foi sua maior influência?

Quantas vezes você só escutou?
Quanto tempo levou para se arrepender?
Aonde seu silêncio o levou?
Será que seus erros são o bastante para você aprender?

Aonde suas perguntas o levaram?
Será que você evoluiu, ou contrariou todos seus princípios?
Quantas pessoas o ajudaram?
Quantas vezes você se sente voltando ao início?

Por que algumas pessoas são tão previsíveis?
Por que não temos resposta pra tudo?
Por que os sons estão inaudíveis?
Será que estou ficando surdo?

Indagações ao vento
Vento que não tem nome, nem endereço
Indagações ao tempo
Paro, penso e logo esqueço

A casa está vazia
O silêncio ecoa

Adoro meus monólogos

15 setembro, 2009

Vícios e aparências

Mais uma vez aqui. Dessa vez o ônibus não está tão cheio. Quatro ou cinco pessoas talvez. Sempre observo as pessoas lá fora, mas hoje vou observar os personagens internos.
Havia um menino nos bancos do fundo. Vestia uma camisa xadrez e uma bermuda, e guardava olhar intrigante em seu rosto. Ele estava concentrado em seus pensamentos, raramente se distraía. Percebi que ele ouvia música, talvez fosse isso que o estivesse distraindo. Fiquei tentando ouvir também, mas minhas tentativas foram em vão. Deduzi que ele ouvia rock.
Uma mulher entrou no ônibus desconfiada, carregava consigo um livro. Depois de encarar todos os passageiros com um ar assustado, sentou-se perto da porta. Percebi que à medida que liam o livro, seus olhos se emocionavam. Tentei ver o título deste, mas não consegui. Deduzi que era sobre romances
Simpática e sorridente, uma mulher entrou no ônibus. Cumprimentou a todos os passageiros como se já os conhecesse há muito tempo. Sentou-se ao lado de mais duas mulheres. Começaram a conversar sobre o tempo e logo sobre outros assuntos. Falaram desde culinária até suas roupas, falaram de seus filhos e trocaram telefones. Pareceu-me que tinham se tornado amigas. Uma delas se levantou, deu sinal e desceu do ônibus.
Desviei minha atenção para a briga de um casal. Eles falavam ao mesmo tempo, sem ouvir um ao outro. Ouvi algo como “Eu não acredito que você esqueceu!”. Imaginei que fosse aquele tipo de casal que comemora meses de namoro como se já tivessem casados. Isso era meio chato, então mudei de personagem. Meu caderno caiu no chão e rapidamente me levantei para pegá-lo. Quando o peguei, avistei um senhor solitário lá nos bancos da frente. Estava longe, mas consegui ver que estava ansioso. Seu rosto, apesar das rugas, era juvenil. Trazia uma esperança e um certo receio em seus olhos. Não consegui deduzir nada sobre ele.
Julgar é um vício. Julgar errado é inevitável. Ponto final. Todos iam descer. O menino ouvia MPB. O título do livro era “Dias melhores virão”. A mulher simpática era arrogante. O casal estava comemorando 5 anos de casamento. E o senhor solitário foi apenas ao encontro de seu amor.
Os cenários mudam. As atitudes mudam. Sua opinião oscila, mas as pessoas são as mesmas. As pessoas em si sempre serão as mesmas.

13 setembro, 2009

Lobotomia

 


Ficou presa em uma sala com pessoas cegas pela mídia.
Qualquer movimento era vital, gerariam consequencias drasticas.
Tinha em mente um unico pensamento:
"Preciso sair daqui"
E nada que ela falasse seria significativo o suficiente.
Seus semblantes eram de suplica
Já não tinham forças para formar um motim.
Enquanto eu, apenas observava todo aquele caos.
Pessoas presas sentadas a cadeira diante de uma enorme TV.
Seus olhos dilatavam - se, sangravam. Não havia saida.
A essa altura suas mentes já estavam escorrendo por suas faces. 
E eu apenas esperava a minha vez.

07 setembro, 2009

Sussurro do passado

Tudo estava normal naquele dia. Eu estava sentado as margens do rio, fitando a água esverdeada. A calmaria era plena e confortável. Estava me preparando para deitar, quando ouvi uma cavalaria seguida por muitas pessoas chegando cada vez mais perto. Em seu cavalo, um dos homens chegou as margens do rio. Aquela figura imponente me parecia o líder. Ele ergueu sua espada para cima e sussurrou alguma coisa ininteligível. As pessoas que ali passavam diziam ser um grito, mas sussurro ou grito, o fato é que eu não entendi uma palavra. Depois daquilo, as pessoas ficaram eufóricas, seus semblantes traziam uma certa esperança renovada. Tentei entender o que tinha acontecido, mas as pessoas não me davam atenção. Resolvi esperar e perceber alguma mudança. Hoje, exatos 187 anos depois, não percebi nenhuma melhora significativa, mas finalmente consegui entender o que aquele homem disse. Mas ainda assim, nego-me a acreditar que com palavras tão “bonitas”, nada tenha mudado. Nego-me a acreditar que ele tenha dito “Indepêndencia ou Morte”. Nego-me acreditar porque me sinto morto e extremamente dependente.
Brasil
"Até 1930, a eleição era falsa, mas a representatividade era verdadeira. Depois de 30, a eleição passou a ser verdadeira, mas a representatividade é falsa".
Gilberto Amado

03 setembro, 2009

Corrupção? Donde?

O Sarney sonegou um dinheirão
na cara do povão

O Sarney sonegou um dinheirão
na cara do povão

- Quem? eu?
- Você!
- Eu não!
- Então quem foi?
- ...

02 setembro, 2009

O conto de Brasília

Era uma vez um cara que quis virar político [não, ele não queria ajudar o país]. Entrou por hipocrisia mesmo, queria experimentar o poder. Fez campanha na TV e no rádio, distribuiu mentiras e fez falsas promessas.
Na favela beijou bebês e doou cestas básicas. No congresso debochou da ingenuidade do povo e vendeu seu voto secreto. Burlou, roubou e extorquiu e foi dissimuladamente arquivado.
No senado admitiu, viajou e arquitetou com seus familiares. Construir empresas fantasmas e contratar laranjas fazia parte de sua rotina.
Comissões, subornos e salários de pessoas inexistentes aumentavam o seu patrimônio, que não estava só no Brasil.
Ele poderia simplesmente ter feito seu trabalho, mas resolveu aderir à moda da corrupção. Não, isso não é um caso isolado, não é um "faz de conta" e muito menos tem final feliz.

27 agosto, 2009

Paranóia.

Eu sempre estive aqui, sempre no mesmo lugar.
Observando os mesmos passos, as mesmas expressões.
As vezes vinha pra me desfazer dos meus pesadelos constantes.
Ali, o mundo se ajoelhava aos meus pés.
Podia enxergar tudo, ouvir tudo. Alguma espécie de líder.
As pessoas que ali trafegavam eram só meros mortais diante de mim,
tolos, sem percepção. Mentes vazias.
Eu as manipulava, meus próprios fantoches.
Agora eu era o estranho que invadira suas mentes.
Tinha formado o meu próprio desejo utópico.
Até que uma sirene alta tocou em meus ouvidos, me ensurdecendo.
Algum tipo de alucinação provisória.
Eu estava sob efeito de analgésicos, anestesiada em uma maca.

24 agosto, 2009

Comparações

A vida é um filme
Pode ter vários gêneros ao mesmo tempo
A vida é uma peça de teatro
Os coadjuvantes são muito mais importantes do que se pensa
A vida é um livro
Não pode ser julgada pela capa
A vida é uma história em quadrinhos
Pode se contar grandes coisas em poucas páginas
A vida é um quadro
Nós escolhemos a cor da tinta
A vida é uma música
Tentamos cantá-la
A vida é uma foto
Tentamos sorrir
A vida é uma poesia
Penso que sei escrever

A vida não se compara a arte
A vida é complexa demais pra ser definida
A vida é simplesmente a vida

23 agosto, 2009

Dia estranho

Acordei com o barulho do rádio. O clima estava diferente, algo estranho no ar. A música que tocava era a mesma de sempre, mas dessa vez parecia ter sentido, ter conteúdo. Deve ser impressão. Levantei devagar e com passos sonolentos fui até a janela na esperança de ouvir alguma conversa superficial; ouvi as mesmas coisas de sempre mas agora elas pareciam sinceras, elas tinham um tom crítico diferente, parece até que as pessoas lembraram que o senso crítico existe.É, acho que acordei alienada. Ou talvez nem tenha acordado. Dia de eleição, minha zona eleitoral é longe. Saí de casa cedo, peguei o negreiro lotado, mas que ainda não cuspia gente pela janela. No caminho notei que as pessoas, apesar de estarem perto demais, estavam rígidas e atentas, diria até que estavam assustadas; pareciam preocupadas com os problemas que assistiam da janela. Sinal vermelho,o ônibus parou. E de repente todos se direcionaram a parte direita do ônibus como se tentassem ver alguma coisa. Logo deduzi que era um acidente, em que as pessoas querem ver o corpo estirado e o sangue no chão. Mas as pessoas estavam voltando para seus lugares com expressões indecifráveis. Resolvi ver o que era, quando cheguei próximo a janela vi que era só uma frase, uma frase que eu sempre vi ali, ela dizia “vote nulo” com o símbolo da anarquia em cima. Sempre li aquela frase com indiferença, nunca acreditei que votar nulo fosse a solução; mas agora aquelas pessoas a liam como se aquilo fosse a salvação. Já ouvi falar que uma frase no muro pode mudar sua vida, mas será que é verdade? Acho que sim, pelo menos hoje. Continuamos o trajeto lentamente -como já é de costume em São Paulo- e logo a frente estava um homem escrevendo no muro, mais uma vez todos se apressaram pra ver. Minha visão não era tão privilegiada, mas ele escrevia algo como “eles não devem ter direito ao voto” seguido pelo desenho de um burguês engravatado. Todos voltaram aos seus lugares, alguns perderam os seus, mas isso não os abalava, eles continuavam com expressões indecifráveis. Em seguida paramos próximo a um bar, mas ele não estava movimentado e barulhento como nos outros dias; todos estavam em silêncio assistindo televisão. “Certamente é alguma novela” pensei comigo. Até que ouvi uma voz que dizia: “Confusão Legislativa: Alguém ainda não identificado do Congresso se atrapalha e sanciona lei que proíbe que qualquer indivíduo que apresente algum vínculo com um partido eleitoral vote!”. Fiquei pasma e indignada. Como isso era possível? Quem sancionou essa lei?Ou melhor, quem fez essa lei? Os passageiros do ônibus pareciam satisfeitos, como se aquilo tudo fosse normal. Lembrei do muro anterior e pensei: “Será que agora tudo que estiver escrito nos muros vai virar lei?”.Isso era paranóia demais. É, realmente devo estar dormindo. Quando cheguei em minha zona eleitoral estava vazia. Tinham três pessoas na fila. Não estava muito confiante porque esse ano os candidatos não foram os melhores –novidade –, mas já tinha decidido. Chegou a minha vez, fiquei olhando a urna e devido as circunstâncias do dia, repentinamente decidi votar nulo. Voltei pra casa confusa, mas ansiosa pra saber qual seria o resultado desse dia estranho. No outro dia de manhã, vi a reportagem no jornal: “Fato histórico: após a contagem dos votos, houve uma surpresa. Todos os votos foram nulos e como não havia nenhum candidato em vantagem. Declaramos em primeira mão: “o Brasil está em ANARQUIA!”. Acordei com o barulho do rádio, as músicas eram as mesmas e as conversas também. Era só um sonho. Um sonho ridículo. Um sonho impossível. Um sonho intrigante.

22 agosto, 2009

Uma rotina diferente

Ontem conheci um fã da rotina. Ele me contou tudo o que costumava fazer. Não gastou muito tempo, afinal ele sempre fazia a mesma coisa. Pra mim, tudo pareceu entediante, mas a empolgação em sua voz contradizia meus pensamentos. Continuei ouvindo-o. Ele me contou sobre seus gostos e preferências e com o passar do tempo tudo ficava previsível, eu podia deduzir e acertar, porém o entusiasmo que usava para proferir cada palavra me manteve prestando atenção. Ele me contou coisas de sua infância e adolescência. Suas histórias tinham menos arrependimento do que as que já ouvira, ele era confiante, nunca havia hesitado – a menos que tenha omitido este fato. Ele sabia aproveitar cada momento, ele era bem-humorado, e notei que o principal motivo de suas piadas era ele mesmo. Isso me chamou atenção e acho que a partir daí nos tornávamos amigos.
Ele não se considerava um fã da rotina, tanto porque ele nem acreditava na rotina. Na verdade ele dizia que a rotina é como um conjunto de tempo e necessidade, e não lugares, pessoas e sensações como a sociedade costuma generalizar. Ele afirmava que todos gostam da rotina, só não gostam do tempo que certas coisas os tiram; tempo esse que se conquistado logo é rotulado de tédio. Em seu conceito, “fugir da rotina” é impossível, pra ele expressão certa seria “reinventar a rotina” ou simplesmente “fugir da monotonia”, que normalmente é o que as pessoas associam a rotina.
A rotina o deixava seguro, mas não ao ponto de prender se a ela. É complicado, é como se ele soubesse o que vai acontecer e gostasse de saber, mas se acontecer algo diferente ele aceitaria e aproveitaria do mesmo jeito. É como se ele gostasse de mudar, mas não almejasse a mudança, porque se ele a almejasse ele deixaria de viver o presente. É complicado.
Ontem conheci um apreciador da rotina e ele me ensinou muitas coisas.

21 agosto, 2009

Intervalo.

Ela observava tudo apenas de longe
Não queria fazer parte de toda aquela besteira fútil e desnecessária.
Pessoas se deixando levar pelo ego
Tentando criar outras características. Fantoches do capitalismo.
Enojada de todo aquele desfile, ela tenta se refugiar em algum desejo utópico.
Até que o sinal bate
Anunciando o recomeço da padronização.

08 agosto, 2009

O inesperado

Sábado á noite.O tempo começava a esfriar, o vento soprava ainda em silêncio. E lá estavámos nós no mesmo lugar de sempre. Nossa conversa variava entre filmes e seriados, as vezes oscilando para hábitos da família. Poucas pessoas circulavam pelas ruas - e as poucas que víamos estava com pressa. Os comércios começavam a fechar, a rua ficava cada vez mais vazia. E nós continuávamos lá. Nem percebíamos o tempo passar. Percebíamos apenas que nossas vozes ficavam cada vez mais solitárias, mas nada que nos fizesse sair dali. O assunto já tinha acabado, mas lembrei de uma situação corriqueira e comecei a contar. Enquanto contava, olhava para os degraus que nos serviam de assento. Ouvi passos vindo em nossa direção, mas não me virei para vê-los. Os passos passaram direto e pararam perto de nós. Continuei contando a “história”, mas notei que minhas amigas não estavam mais me ouvindo. Levantei a cabeça para perguntar o que tinha acontecido, e seus olhos estavam disfarçadamente assustados. Foi quando eu olhei para o lado e o vi. Um homem de bermuda e camiseta regata parado próximo ao orelhão que ficava a nossa frente. Seus cabelos eram curtos, seu olhar guardava algum mistério e sua mão segurava uma faca. A lâmina da faca bateu no poste fazendo um barulho estridente. Esquecemos de respirar. Nossos corações aceleraram, e bateram forte como nunca haviam batido. Ficamos silenciosamente apavoradas, mas nossos olhos nos condenavam. Com a voz ainda tensa tentei continuar a falar. Seu olhar indecifrável nos encarou uma por uma. Em sua boca abriu-se um sorriso um tanto quanto perturbador e com um tom de voz indiferente nos disse “Desculpa”. Saiu caminhando batendo mais uma vez a faca no poste – nos causando arrepios - dizendo alguma coisa ininteligível. Não esperamos ele desaparecer para sairmos daquele lugar. Andamos apressadas rindo de desespero. Chegamos perto da minha casa e paramos, ficamos relembrando aqueles momentos e cada pequeno detalhe e assim como todas nossas conversas, imaginamos o que poderia ter acontecido e até fizemos planos para o nosso enterro. E assim nossos devaneios começavam

07 agosto, 2009

Inconsciência estável

Ela estava dormindo e parecia estar longe de acordar. Seu rosto estava tranquilo e seus olhos sorriam. A inconsciência parecia confortável. Até que o toque do telefone a interrompeu, seus olhos se abriram de repente alarmados com o barulho. Negando-se a correr, espreguiçou-se e levantou-se devagar. Com passos curtos chegou ao telefone, atendeu e era apenas um engano. Isso não a aborreceu. Desligou o telefone maquinalmente, como se este nem tivesse tocado. Bocejando e distraída foi a cozinha e percebeu que estava sozinha. Isso não foi surpresa, exceto pelo fato de ser domingo, mas ela não se interessou em descobrir o motivo. Em reação habitual cumpriu suas obrigações enquanto ouvia música alta. Ela dançava e cantarolava com um leve sorriso. Lá fora a chuva começava a cair, mas a fúria do vento e a intensidade dos trovões pareciam irrelevantes para ela, até que a música parou subitamente e ela percebeu que a luz acabara. Isso não a irritou. Mais uma vez sem pressa, ela foi procurar uma vela, mas a falta de atenção a fez tropeçar e cair, depois de um breve silêncio suas risadas encheram a casa. Levantou rapidamente, ainda sorrindo, e quando achou a vela percebeu que a luz voltara. Parece que nada estragaria seu dia. Sem mais nada para fazer abriu a janela, o vento gelado soprou em seu rosto e ela murmurou para si mesma: ”Que lindo dia!”; então uma gota de chuva caiu em sua mão causando arrepios, e com um largo sorriso ela corrigiu: ”Que lindo dia feio!”. Ela ainda estava sonhando, sonhando acordada e parecia estar longe de realmente despertar.

03 agosto, 2009

Inspiração

Mais uma madrugada tentando encontrá-la. Ela não está em minha raiva nem em meus pesadelos. Não está em minhas paranóias nem frustrações. Sei que sua presença é imprevisível, mas por algum motivo desconhecido eu não consigo deixá-la. Continuo em minha busca silenciosa, mas ela insiste em se esconder. Não a encontrei em minha rotina nem em meus anseios. Não a encontrei em minhas alegrias nem distrações. Talvez esteja procurando no lugar errado. Talvez ela esteja ocupada. Talvez ela simplesmente não exista para ser encontrada. É, acho que a última opção me convence. Agora a espera é o que me resta.

20 julho, 2009

Observação amigável

Era noite. E eu estava sozinho, caminhando, só para passar o tempo. Estava ameaçando chover, então tinha certeza que estaria completamente sozinho; até que viro a esquina e lá estão elas, como sempre. Tinha me esquecido. Eram seis meninas, estavam sentadas no lugar de costume. Quando passei por elas nada aconteceu, era como se nada existisse ao redor delas. Pelo o que eu observara elas já se conheciam a algum tempo, pareciam confiar e respeitar umas as outras. Bom, eu sempre passava por ali, ás vezes escutava elas, falavam de assuntos sérios, mas parece que alguém sempre falava uma besteira e elas começavam a rir e de repente elas paravam...era estranho, mas isso me alegrava.
Conversas, desabafos, confissões, discussões, brincadeiras, histórias, tolices, ironia, gírias internas. Nem tão lógica e nem tão complexa, assim parece ser a amizade delas. Não tão lógica porque parece que não seguem padrões. E nem tão complexa, porque parecem ser normais, quer dizer o normal que era pra ser, caso não existissem ideologias explicitamente manipuladoras. É, acho que nem eu sei o que estou pensando. Vou voltar pra casa. Vou ter que passar por elas novamente. Elas continuavam conversando, mas pelo o que eu ouvi parecia a despedida de cada dia:
- O que a gente vai fazer amanhã?
- Ah, não sei. Não tem nada pra fazer!
- Então é isso, vamos fazer nada juntas!!

Todas concordaram e começaram a rir.Tentei esconder o riso, mas elas perceberam. Elas me encararam com um pouco de vergonha. Continuei andando tentando entendê-las.

PS: "A amizade é um meio de nos isolarmos
da humanidade cultivando algumas pessoas."
[Carlos Drummond de Andrade]
Feliz Dia do Amigo!!

18 julho, 2009

Suposições confortáveis

Quarta feira à noite. Lá está ele, numa condição que parece não gostar. Ele é o líder da hierarquia. Hierarquia essa, que ele tenta nos convencer de que não é obrigatória. Ele tenta se colocar como parte de nós. E até consegue nos iludir fazendo daquilo uma grande democracia. Ele gosta de inovar. Gosta de interagir para aprender, afinal “não somos baldes vazios”. Ele gosta de desconstruir os padrões. Mas ele sabe que no fim, ele sempre tem que ser o líder. Ele sempre tem que decidir. Ele realmente não gosta da parte que o torna o líder. Ele acha estúpido. Mas pra ele, a vontade de desenvolver nosso senso crítico supera seu desprezo pela liderança.

Quinta feira à noite. Lá está ele, parece não se incomodar com aquela condição. Ele é o líder da hierarquia. Ele mostra sua autoridade, mas sem ser arrogante como os outros. Ele demonstra todo seu interesse, sua paixão e sua determinação por aquilo que faz. Ele também tenta se colocar como parte de nós. Ele percebe tudo, se preocupa e incentiva a todos. Mostra sua satisfação a cada pequeno progresso. Para ele, a parte que realmente o torna líder é encarada como uma consequência. Ele não gosta de obedecer aos padrões, mas sabe que ás vezes é necessário e tenta ser o mais justo possível. Mas pra ele a vontade de ensinar e de revolucionar supera seu desprezo pelos padrões da sociedade.

Sexta feira à noite. Lá estão eles, não estão mais naquela condição. Não são mais líderes. Estão conversando, filosofando sobre a vida, rindo de suposições, imaginando situações, discutindo soluções, fazendo planos para os dias que estão por vir. Eles não são mais líderes. Não, eles não desistiram. Apenas estão de férias.

Preferências familiares

Estávamos todos na sala, sentados no sofá. Enquanto eu procurava algo para fazer, eles pareciam estar hipnotizados assistindo aquela novela estúpida. Naquele momento, qualquer barulho que lhes tirasse atenção seria um pecado. O tédio me fez observar. Minha primeira observação parecia óbvia, mas notei que todos os móveis estavam direcionados a televisão, como se todos tivessem que servi-la, talvez até numa espécie de hierarquia. Percebi também o quanto as emoções são manipuladas através da música de fundo, era como se aquelas pessoas reagissem ao som e não as imagens. Por fim minhas paranóias cessaram, mas o silêncio com que aquelas pessoas assistiam televisão e a hierarquia recém descoberta começava a me incomodar. Involuntariamente, deixei o lápis cair no chão, quebrando aquele silêncio manipulado, imediatamente recebi olhares irritados. A partir desse momento percebi que era melhor não incomodá-los. No fim de tramas inúteis de vilões e mocinhos e músicas indianas que nínguem entende, eles voltaram a conversar. Comentários fúteis e contos do dia-a-dia encheram a sala, enquanto uma reportagem sobre a poluição da água passava despercebida.

15 julho, 2009

O encantador de pipas.

Era julho, as folhas das árvores já estavam ao chão,
era o começo do inverno. Nada parecia mais mórbido.
O céu estava acinzentado. Nada se via, além das
gigantescas nuvens carregadas, todas amontoadas
sobre as outras, como se estivessem tentando impedir
da luz entrar. As ruas cheiravam a solidão e humidade.
Até os pássaros resolveram não cantar. Haviam poucas
pessoas perambulando pelas ruas, todas cabisbaixas, com
um semblante frio e arredio. Agora não havia mais
comprimentos, nem grandes sorrisos. A gentileza os
abandonara. Sempre com muita pressa.
Os prédios agora estavam cada vez mais feios, sem vida
e sem cor. A cidade inteira, parecia estar de luto eterno.
Até os carros pareciam mais silenciosos. Os mais
valentões da cidade, agora estavam em suas casas,
todos quietos, nada os perturbaria.
Ao observar tudo aquilo, me senti inteiramente perturbada,
sentimentos isolados vieram a tona, me deixando aflita.
Até que ouvi pequenos gritos, mas esses não pareciam de
tormento, eles eram de euforia, alegria, mais precisamente.
Ao olhar para trás, avistei um pequeno grupo de crianças a
correr, se empurrando e dando gargalhadas. Estavam todas
se amontoando em cima de um garoto que estava a soltar
um pipa. Tropeçando e caindo sem olhar para trás, elas
apenas observavam como a pipa voava no céu, e como aquilo as encantava.
Os olhos delas brilhavam como nunca, como
se aquilo fosse tudo o que elas precisavam.
Enfim, pararam na minha frente, agora todos falavam ao mesmo tempo, algo como:
- É a minha vez.
- Olha como ela voa.
- Está tão alta.

E o garoto que segurava o pipa, parecia estar hipnotizado.
Aquilo com certeza o tranquilizava.
Enquanto os garotos faziam festa, a cidade parecia renascer.
Era julho, as folhas das árvores já estavam ao chão,
era o começo do inverno.

14 julho, 2009

Olhos e olhares

Olhares atentos esperam o ônibus
Olhos inocentes não sabem o que fazer
Olhares tensos atravessam a rua
Olhos imprudentes entram na contramão
Olhares impacientes avançam o sinal
Olhos assustados veem um acidente
Olhares cínicos não param pra ajudar
Olhos agoniados sofrem com a dor
Olhares angustiantes suplicam por mais tempo
Mas não há o que fazer
Por fim, olhos fechados sem nenhuma esperança de acordar.
Olhares tristes procuram o culpado
Olhos intrometidos avisam que ele não está mais lá
Tudo acabou
Os olhares se afastam
E os olhos com rancor e medo são os únicos que restam

Olhos atentos...
Olhares tensos...
As vezes, só o dos pedestres não é o bastante.

13 julho, 2009

Distração fatal

Ela está sob efeito do álcool, está alucinada tentando achar a verdade em seus sonhos ilusórios. Entre casos mal feitos e arrependimentos, ela pede mais uma vodka. Virando copos ela consegue controlar a situação, esquecer algumas atitudes que havia tomado. Naquele mesmo dia, ela havia perdido toda a sua esperança, todos os seus sonhos foram desperdiçados. Sentia-se totalmente desesperada, para ela não havia nada que pudera amenizar a sua situação. E por mais que ela tentasse recordar algumas lembranças valiosas, algo a impedia de continuar nessa distração. No seu décimo copo, ela já estava bêbada demais pra pensar em algo, e logo caiu em cima do balcão, entrou então em um mundo que só ela compreendia, com os olhos fechados, ainda deitada em cima do balcão, entre copos de vodka ela sorri, como se estivesse enfim chegado ao seu melhor estado de espírito.

11 julho, 2009

Lembranças ofuscadas

Tarde de junho. Final de outono. Tudo estava calmo. O tempo estava normal. Nem frio, nem calor. O pôr-do-sol refletia no lago esverdeado. O vento soprava suavemente, espalhando as folhas caídas. Os pássaros, em sincronia, pousavam sob as árvores, como se estivessem em reunião. Nenhum som desconcertante, apenas sons agradáveis. E lá estava ele, contemplando tudo ao seu redor. Respeitava o silêncio de barulhos e assobiava uma música tranquila. Ele estava sozinho, o que o fez perceber que não é só no fim que a vida passa diante de nossos olhos, a solidão também nos faz relembrar.
Seu rosto estava pensativo, seus olhos estavam concentrados. Sua cabeça nunca esteve tão longe e sua memória nunca esteve tão clara. Lembrou de todas suas alegrias, seus amores, amizades, loucuras, dificuldades, brigas, brincadeiras, medos, vícios, sonhos, conquistas. Lembrou até do que se forçou a esquecer. Arrependeu-se de não ter feito, se orgulhou de ter tentado, se surpreendeu de ter tido coragem, se emocionou de ter tido forças. Em poucos minutos, um misto de emoções passava por seu rosto. Passava tão rapidamente que era como se tivesse recordando vinte anos em vinte minutos.
A noite chegava. E as nuvens carregadas também. Ele parecia estar sonoramente sozinho até que os pingos da chuva o fizeram companhia. Quando despertou das lembranças, resolveu ir pra casa, caminhava ainda pensativo e cantarolando uma música que desconhecia. Ele estava surpreso com tudo que havia lembrado, tudo que estava arquivado no meio de tantos problemas, tudo que ele acabou esquecendo sem motivo algum; e no meio dessas lembranças, de repente a alegria tomou conta de seu rosto, ele se lembrou da canção e se apressou ansioso para cantá-la para a única pessoa que a reconheceria.

08 julho, 2009

Rotina de Distração

Clichês entediantes
Informações manipuladas
Propagandas persuasivas
Ignorância animada
Humor imbecil e previsível
Piadas tolas e apelativas
Sorrisos plásticos
Méritos falsos
Ilusões gratuitas
Estupidez em tempo real
Eles estão interagindo
Então o plano deu certo
Pensei ter ouvido verdades,
mas era só mais um programa
É, Bem vindo á televisão (ou pelo menos,a maior parte dela)

03 julho, 2009

Detalhes explícitos

De novo neste lugar. Ele está cheio, aliás, sem nenhum motivo lógico ele sempre está. Tudo está em seu devido lugar, mas sinto algo diferente. Talvez seja a surpresa em perceber os detalhes ou só mais uma das minhas paranóias (apesar de que perceber os detalhes, de certa forma, já é uma paranóia).
Enfim, os poucos diálogos sinceros e distrações saudáveis são quase inaudíveis, pois estão sendo constantemente abafados pelo som das conversas vazias, falsos risos, elogios dissimulados e brincadeiras estúpidas. É injusto, eles são a maioria e sempre iam ser. Precisamos fazer alguma coisa, mas como mudá-los? Como resgatá-los de seus princípios fúteis? É, infelizmente as interrogações continuam.
Contudo, este lugar não costuma me irritar, a menos que o líder da hierarquia do dia fizesse/dissesse algo inútil -o que vem se tornando muito comum ultimamente-. Digamos, que é, no mínimo, interessante ver sua súbita mudança de humor quando lhe é conveniente, a variedade de expressões que podem passar por seu rosto e a nítida superioridade com que se colocam a nós, meros "sem luz". No entanto, não posso ser hipócrita como eles e ignorar o fato de que há exceções. Aqueles que tentam inovar, incentivam e interagem, aqueles que demonstram sua satisfação a cada pequeno progresso. Porém, ainda é injusto, eles são a minoria e sempre iam ser.
É, muitas dúvidas e suposições em minha cabeça. Estou ficando confusa. Todos estão falando ao mesmo tempo, me parece até que em outra língua. Não há compreensão. Minha sanidade está se dissolvendo. De repente consigo captar risos, mas dessa vez não são os risos falsos, nem os saudáveis, são os risos irônicos, os utópicos, os que realmente me divertem. Eles, de fato, me despertaram. Mesmo mentalmente fora da conversa, logo a entendi e comecei a rir com algo como: "eu era tão bicho que ele me chamava de formiga..."

02 julho, 2009

P de contradições

Pesquisa publicada prova
preferencialmente "quarteto fantástico"
pra eles falarem. Parem e pensem.
Por quê? Prossigo
Pela escola praticam a arte de julgar (suposições)
pelos corredores eles falam, falam
Por parte de alguns: puro sarcasmo, hipocrisia talvez.
verdades, mentiras, enganos, conceitos
Do outro lado verdades, mentiras, devaneios, risos
Sentenças precipitadas. Idealizações utópicas
Indiferença, Incompreensão
Enfim, ilusões recíprocas
É como se fossem dois mundos sufocados em seus princípios
Tão sufocado que não percebem o quão parecido eles são
ou o quanto dependem um do outro pra fazer o que é preciso (querem)
Enquanto isso, o impasse continua...

Acabou a Luz!

Acabou a luz
Mergulhei em minhas confusões
me afundei na inércia alheia
me perdi em dúvidas particulares
Procurei um sentido pra tudo
E encontrei perguntas pra nada
Parece que estou me opondo aos meus reflexos
lembrando de tudo e nada ao mesmo tempo
Inconsciência
Devaneios
Finalmente estou boiando
boiando em supostas soluções
Não consigo decidir

Salva pela luz,
Ela voltou!

25 junho, 2009

Novas percepções.

Quando seu maior desejo,
se transforma no seu pior pesadelo.
Você pode nos ouvir gritar?
Esse é o som da discórdia e do desespero.
Estamos em êxtase. Paranóia é o nosso segundo nome.
Você pode nos ouvir gritar?

24 junho, 2009

Faz sentido pra você?

Aquelas ideias que no começo pareciam tolas,
agora faz algum sentido.
Falando sobre nada e tudo ao mesmo tempo.
Atirando pedras ao vento.
Rindo do mundo, rindo de nós mesmas.
Sob um leve desespero.

Criando conclusões precipitadas,
nos iludindo com as pessoas. Quase sem volta.
Presenciando situações desnecessárias,
ouvindo o mundo gritar.
Tentando se encaixar. Sociedade de pessoas e coisas fúteis.
Medo de ser normal.
As pessoas deixaram seu senso crítico em casa,
e não voltaram pra buscar.

Raiva de não poder mudar. Vontade de lutar,
pouca coragem em mãos.
Aguardando respostas.