07 agosto, 2009

Inconsciência estável

Ela estava dormindo e parecia estar longe de acordar. Seu rosto estava tranquilo e seus olhos sorriam. A inconsciência parecia confortável. Até que o toque do telefone a interrompeu, seus olhos se abriram de repente alarmados com o barulho. Negando-se a correr, espreguiçou-se e levantou-se devagar. Com passos curtos chegou ao telefone, atendeu e era apenas um engano. Isso não a aborreceu. Desligou o telefone maquinalmente, como se este nem tivesse tocado. Bocejando e distraída foi a cozinha e percebeu que estava sozinha. Isso não foi surpresa, exceto pelo fato de ser domingo, mas ela não se interessou em descobrir o motivo. Em reação habitual cumpriu suas obrigações enquanto ouvia música alta. Ela dançava e cantarolava com um leve sorriso. Lá fora a chuva começava a cair, mas a fúria do vento e a intensidade dos trovões pareciam irrelevantes para ela, até que a música parou subitamente e ela percebeu que a luz acabara. Isso não a irritou. Mais uma vez sem pressa, ela foi procurar uma vela, mas a falta de atenção a fez tropeçar e cair, depois de um breve silêncio suas risadas encheram a casa. Levantou rapidamente, ainda sorrindo, e quando achou a vela percebeu que a luz voltara. Parece que nada estragaria seu dia. Sem mais nada para fazer abriu a janela, o vento gelado soprou em seu rosto e ela murmurou para si mesma: ”Que lindo dia!”; então uma gota de chuva caiu em sua mão causando arrepios, e com um largo sorriso ela corrigiu: ”Que lindo dia feio!”. Ela ainda estava sonhando, sonhando acordada e parecia estar longe de realmente despertar.

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