08 agosto, 2009
O inesperado
Sábado á noite.O tempo começava a esfriar, o vento soprava ainda em silêncio. E lá estavámos nós no mesmo lugar de sempre. Nossa conversa variava entre filmes e seriados, as vezes oscilando para hábitos da família. Poucas pessoas circulavam pelas ruas - e as poucas que víamos estava com pressa. Os comércios começavam a fechar, a rua ficava cada vez mais vazia. E nós continuávamos lá. Nem percebíamos o tempo passar. Percebíamos apenas que nossas vozes ficavam cada vez mais solitárias, mas nada que nos fizesse sair dali. O assunto já tinha acabado, mas lembrei de uma situação corriqueira e comecei a contar. Enquanto contava, olhava para os degraus que nos serviam de assento. Ouvi passos vindo em nossa direção, mas não me virei para vê-los. Os passos passaram direto e pararam perto de nós. Continuei contando a “história”, mas notei que minhas amigas não estavam mais me ouvindo. Levantei a cabeça para perguntar o que tinha acontecido, e seus olhos estavam disfarçadamente assustados. Foi quando eu olhei para o lado e o vi. Um homem de bermuda e camiseta regata parado próximo ao orelhão que ficava a nossa frente. Seus cabelos eram curtos, seu olhar guardava algum mistério e sua mão segurava uma faca. A lâmina da faca bateu no poste fazendo um barulho estridente. Esquecemos de respirar. Nossos corações aceleraram, e bateram forte como nunca haviam batido. Ficamos silenciosamente apavoradas, mas nossos olhos nos condenavam. Com a voz ainda tensa tentei continuar a falar. Seu olhar indecifrável nos encarou uma por uma. Em sua boca abriu-se um sorriso um tanto quanto perturbador e com um tom de voz indiferente nos disse “Desculpa”. Saiu caminhando batendo mais uma vez a faca no poste – nos causando arrepios - dizendo alguma coisa ininteligível. Não esperamos ele desaparecer para sairmos daquele lugar. Andamos apressadas rindo de desespero. Chegamos perto da minha casa e paramos, ficamos relembrando aqueles momentos e cada pequeno detalhe e assim como todas nossas conversas, imaginamos o que poderia ter acontecido e até fizemos planos para o nosso enterro. E assim nossos devaneios começavam
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HSIAHSAIUHSAU
ResponderExcluirei, não ri não ta! mó cu na mão!a Simone ainda falou que ele já ficava encarando a gente antes!
ResponderExcluir:|
aconteceu de verdade isso?
ResponderExcluir0_0³