18 julho, 2009
Preferências familiares
Estávamos todos na sala, sentados no sofá. Enquanto eu procurava algo para fazer, eles pareciam estar hipnotizados assistindo aquela novela estúpida. Naquele momento, qualquer barulho que lhes tirasse atenção seria um pecado. O tédio me fez observar. Minha primeira observação parecia óbvia, mas notei que todos os móveis estavam direcionados a televisão, como se todos tivessem que servi-la, talvez até numa espécie de hierarquia. Percebi também o quanto as emoções são manipuladas através da música de fundo, era como se aquelas pessoas reagissem ao som e não as imagens. Por fim minhas paranóias cessaram, mas o silêncio com que aquelas pessoas assistiam televisão e a hierarquia recém descoberta começava a me incomodar. Involuntariamente, deixei o lápis cair no chão, quebrando aquele silêncio manipulado, imediatamente recebi olhares irritados. A partir desse momento percebi que era melhor não incomodá-los. No fim de tramas inúteis de vilões e mocinhos e músicas indianas que nínguem entende, eles voltaram a conversar. Comentários fúteis e contos do dia-a-dia encheram a sala, enquanto uma reportagem sobre a poluição da água passava despercebida.
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2 NO MESMO DIA, e depois NAO SABE ESCREVERA. ADORO ESSAS MENTIRAS.
ResponderExcluiradorei.
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