Particularidades,
estranhezas
Manias,
defeitos
Apenas fluindo
Fluindo como uma canção
Aquela canção em que a bateria não se alinha a guitarra
O baixo não é silenciado pela bateria
E os instrumentos de sopro simplesmente aparecem, sem avisos
E mesmo com essa desordem aparente, você não se cansa de ouvir.
Olhos, conversas
Risos, boca
Ironias
Coincidências
Apenas fluindo
Heróis e Trapaceiros
25 Fevereiro, 2012
26 Novembro, 2011
27 Setembro, 2011
Fuga de Si
- Decida-se!
- O tempo passa rápido!
- Apenas faça o que quer
- Por que está parado?
- Está deixando as oportunidades passarem!
- Corra!
Críticas, questionamentos, conselhos, ordens
Todos insistem em opinar em sua vida
Uma confusão de vozes te pressiona o tempo todo
Não há como conter a ânsia por um grito
Ânsia por argumentos e justificações
Mas o que se tem a fazer quando as tais vozes são suas?
Bradar, assim como faríamos com os outros?
Talvez.
Mas de alguma forma elas sempre estarão lá
Não há como pará-las
12 Setembro, 2011
Falling to pieces
Uma simples falta. Uma falta simples, repentina e inexplicável se fez presente. Arrisco-me até a chamá-la de saudade, aquela velha saudade do que nunca se viveu.
Às vezes chego a me assustar com o quão linda é essa projeção criada por minha mente, projeção confortadora, mas confesso que atribuir qualidades a outros indivíduos não é muito saudável, projeções e ilusões são vícios que devo largar.
A tal ilusão é vasta, mas sua base se concentra na verdade, no real, no sólido. Sempre se sabe onde tudo começou, caso contrário, estaríamos todos sonhando. Patético, mas neste caso, o ponto de partida foram os olhos. Seus olhos que sorriem como os daqueles que tem muitos anos. Franzidos e estranhamente encantadores.
Uma simples falta. Uma simples e estranha falta se fazia presente.
"[...] E te amo como se ama um passarinho morto".
Às vezes chego a me assustar com o quão linda é essa projeção criada por minha mente, projeção confortadora, mas confesso que atribuir qualidades a outros indivíduos não é muito saudável, projeções e ilusões são vícios que devo largar.
A tal ilusão é vasta, mas sua base se concentra na verdade, no real, no sólido. Sempre se sabe onde tudo começou, caso contrário, estaríamos todos sonhando. Patético, mas neste caso, o ponto de partida foram os olhos. Seus olhos que sorriem como os daqueles que tem muitos anos. Franzidos e estranhamente encantadores.
Uma simples falta. Uma simples e estranha falta se fazia presente.
"[...] E te amo como se ama um passarinho morto".
Manuel Bandeira
04 Março, 2011
E embora tenha dor no meu peito
Parecia usufruir de um sensação ambígua
A mesma que dias antes o tornara um transtornado-
Obsessivo por uma ideia inatingivel.
E parecia mesmo estar convicto disto.
Aquebrantando lembranças de algumas noites em claro.
E parecia se importar com todo o alvoroço que esta
estranha sensação lhe causara
Relembrando algumas epigrafes doloridas e despedaçadas.
Tentando entender o que não dera certo,
O que não parecia certo desta vez.
A euforia que lhe fora usurpada
Com desculpas de desilusões e má fé
Maldita sensação.
A mesma que dias antes o tornara um transtornado-
Obsessivo por uma ideia inatingivel.
E parecia mesmo estar convicto disto.
Aquebrantando lembranças de algumas noites em claro.
E parecia se importar com todo o alvoroço que esta
estranha sensação lhe causara
Relembrando algumas epigrafes doloridas e despedaçadas.
Tentando entender o que não dera certo,
O que não parecia certo desta vez.
A euforia que lhe fora usurpada
Com desculpas de desilusões e má fé
Maldita sensação.
24 Janeiro, 2011
09 Janeiro, 2011
Make some noise
A canção está pronta, só falta você
Encaixe os fones
prepare os ouvidos
Aumente o volume
A história começa
O sutil contrabaixo se apresenta
Trazendo os embalos da velha bateria em companhia
As verbalizações surgem repentinamente
Num lindo timbre histérico
Aumente o volume
Os tons de teclado seguem despercebidos
Em sintonia, até cessarem por completo
Uma curta e intensa sequencia de bumbo e caixa silenciadas por um toque do chimbau
Eis que chega a grande anfitriã
A Gibson Les Paul com toda sua personalidade
Os riffs estridentes, rápidos e por fim sonolentos
Aumente o volume
Todos num descompasso vibrante
O baixo era o coadjuvante principal,
A guitarra e a bateria eram amigas de infância
E o teclado, ah o teclado...
Aumente o volume!
Esqueça tudo
Abstraia
Esqueça todos
Distraia
Seja a música
Encaixe os fones
prepare os ouvidos
Aumente o volume
A história começa
O sutil contrabaixo se apresenta
Trazendo os embalos da velha bateria em companhia
As verbalizações surgem repentinamente
Num lindo timbre histérico
Aumente o volume
Os tons de teclado seguem despercebidos
Em sintonia, até cessarem por completo
Uma curta e intensa sequencia de bumbo e caixa silenciadas por um toque do chimbau
Eis que chega a grande anfitriã
A Gibson Les Paul com toda sua personalidade
Os riffs estridentes, rápidos e por fim sonolentos
Aumente o volume
Todos num descompasso vibrante
O baixo era o coadjuvante principal,
A guitarra e a bateria eram amigas de infância
E o teclado, ah o teclado...
Aumente o volume!
Esqueça tudo
Abstraia
Esqueça todos
Distraia
Seja a música
13 Dezembro, 2010
Existe sempre uma coisa ausente
Existe sempre uma coisa ausente,
mesmo que inaudível,
sucinta.
Há sempre a sensação do não haver,
do que se foi
ou do que se deveria ter feito.
Mas você não se importa,
apenas sente.
Depois ri.
Ri e chora,
apenas por ter sentido.
Ando angustiada demais, meu amigo. Palavrinha antiga essa, angústia. Duas décadas de convívio cotidiano, mas ando. Tenho uma coisa apertada aqui no meu peito, um sufoco, uma sede, um peso. Não me venha com essas histórias de atraiçoamos-todos-os-nossos-ideais. Nunca tive porra de ideal nenhum, só queria era salvar a minha. Veja só que coisa mais individualista, elitista, capitalista. Só queria ser feliz, cara.
Caio Fernando Abreu.
03 Dezembro, 2010
Queridos Anônimos
Anônimo:
Adj. 1. Sem o nome ou assinatura do autor. 2. Sem nome ou nomeada; obscuro
Dicionário Aurélio
Até que ponto somos anônimos? Qual a importância do tão requisitado nome? E os tais nomes garantem "reconhecimento"?
O homem olhava a mulher que aguardava o ônibus com os filhos, que fitavam curiosos o cachorro do senhor que comprava o jornal. A moça conversava com a amiga que observava o rapaz com fones no ouvido, que por sua vez assistia o desespero do menino que estava atrasado e pedia pra o ônibus parar.
Os anônimos são encantadores com suas infinitas semelhanças distintas. Particularidades sutis e sonhos estampados em simples olhares. Porém, há de convir que alguns tendem a ser desprezíveis, superficialmente, mas ainda sim desprezíveis. Mas independente de qualquer coisa, os anônimos são cativantes em todos os aspectos, instigantes.
Repentinamente a impaciência se fez comum em todos os semblantes, a espera já se estendia por um longo tempo. A menina que mais parecia uma boneca perguntou a senhora com roupas floridas que contrariava o dia cinzento:
- Que horas são, por favor?
- 7h30 - respondeu num tom afável
- Obrigada
A partir do convivío (não verbal) e de qualidades (supositórias) que atribuímos, os anônimos deixam este posto; fazendo com que sua presença seja confortadora e até mesmo familiar. Os gestos quebram os anonimatos, os tais nomes se tornam dispensáveis. Somos lembrados apenas por nossa sincera e anônima mudez.
Enfim a espera termina. O motorista aguarda todos subirem, enquanto dois amigos tomavam coragem para pedir carona ao cobrador, que por sua vez fitava o nada até ser surpreendido pelo trovão que anunciava a chuva.
Ah, os anônimos, seus olhares se tornam expressivos mesmo na inexpressão.
Adj. 1. Sem o nome ou assinatura do autor. 2. Sem nome ou nomeada; obscuro
Dicionário Aurélio
Até que ponto somos anônimos? Qual a importância do tão requisitado nome? E os tais nomes garantem "reconhecimento"?
O homem olhava a mulher que aguardava o ônibus com os filhos, que fitavam curiosos o cachorro do senhor que comprava o jornal. A moça conversava com a amiga que observava o rapaz com fones no ouvido, que por sua vez assistia o desespero do menino que estava atrasado e pedia pra o ônibus parar.
Os anônimos são encantadores com suas infinitas semelhanças distintas. Particularidades sutis e sonhos estampados em simples olhares. Porém, há de convir que alguns tendem a ser desprezíveis, superficialmente, mas ainda sim desprezíveis. Mas independente de qualquer coisa, os anônimos são cativantes em todos os aspectos, instigantes.
Repentinamente a impaciência se fez comum em todos os semblantes, a espera já se estendia por um longo tempo. A menina que mais parecia uma boneca perguntou a senhora com roupas floridas que contrariava o dia cinzento:
- Que horas são, por favor?
- 7h30 - respondeu num tom afável
- Obrigada
A partir do convivío (não verbal) e de qualidades (supositórias) que atribuímos, os anônimos deixam este posto; fazendo com que sua presença seja confortadora e até mesmo familiar. Os gestos quebram os anonimatos, os tais nomes se tornam dispensáveis. Somos lembrados apenas por nossa sincera e anônima mudez.
Enfim a espera termina. O motorista aguarda todos subirem, enquanto dois amigos tomavam coragem para pedir carona ao cobrador, que por sua vez fitava o nada até ser surpreendido pelo trovão que anunciava a chuva.
Ah, os anônimos, seus olhares se tornam expressivos mesmo na inexpressão.
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