18 julho, 2009

Suposições confortáveis

Quarta feira à noite. Lá está ele, numa condição que parece não gostar. Ele é o líder da hierarquia. Hierarquia essa, que ele tenta nos convencer de que não é obrigatória. Ele tenta se colocar como parte de nós. E até consegue nos iludir fazendo daquilo uma grande democracia. Ele gosta de inovar. Gosta de interagir para aprender, afinal “não somos baldes vazios”. Ele gosta de desconstruir os padrões. Mas ele sabe que no fim, ele sempre tem que ser o líder. Ele sempre tem que decidir. Ele realmente não gosta da parte que o torna o líder. Ele acha estúpido. Mas pra ele, a vontade de desenvolver nosso senso crítico supera seu desprezo pela liderança.

Quinta feira à noite. Lá está ele, parece não se incomodar com aquela condição. Ele é o líder da hierarquia. Ele mostra sua autoridade, mas sem ser arrogante como os outros. Ele demonstra todo seu interesse, sua paixão e sua determinação por aquilo que faz. Ele também tenta se colocar como parte de nós. Ele percebe tudo, se preocupa e incentiva a todos. Mostra sua satisfação a cada pequeno progresso. Para ele, a parte que realmente o torna líder é encarada como uma consequência. Ele não gosta de obedecer aos padrões, mas sabe que ás vezes é necessário e tenta ser o mais justo possível. Mas pra ele a vontade de ensinar e de revolucionar supera seu desprezo pelos padrões da sociedade.

Sexta feira à noite. Lá estão eles, não estão mais naquela condição. Não são mais líderes. Estão conversando, filosofando sobre a vida, rindo de suposições, imaginando situações, discutindo soluções, fazendo planos para os dias que estão por vir. Eles não são mais líderes. Não, eles não desistiram. Apenas estão de férias.

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