20 dezembro, 2009

Christine

Ainda cheirava a sexo e a tabaco cubano.
Naquela noite Christine estava decidida a esquecer suas lembranças perturbadoras, queria apenas se entregar. Alguma distração provisória. Entrou em um bar por impulso, queria tirar aquele gosto amargo da angustia que percorria sua garganta e logo pediu uma dose de martine puro.

Ficou a observar as pessoas no bar como um assassino a escolher sua vitima. Fitou-os bem nos olhos, como se pudesse ler sua alma, os decifrando. Por alguns instantes sentiu – se ridícula, uma puta vulgar. Sabia que estava vulnerável e que isso resultaria em grandes arrependimentos, mas resolveu arriscar, afinal já não lhes restava dignidade o bastante.

Levantou-se e foi diretamente no homem que a observara desde a sua entrada. Presa fácil, ela pensara. Naquele momento Christine sentia-se poderosa, desejada o suficiente. Aquele sempre fora o seu objetivo.
E se entrelaçaram ali mesmo, em um pequeno quarto vago aos fundos do bar. Sua sede insaciável a fez repetir varias vezes. O estranho agora dormia agarrado a ela que fingia o mesmo. No rosto um sorrido estampado, como de uma missão cumprida. Aquela fora sua primeira vez no jogo.

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