29 dezembro, 2009

Retro expectativa 2009

Queria lembrar de tudo
Ter a memória boa o bastante
Mas isso é quase impossível
Sei que vai faltar muita coisa importante            

Tudo começa em janeiro
Em São Paulo, Kassab é prefeito
Nos E.U.A, Barack Obama é eleito
E em nossas vidas nenhum grande feito

Logo chega fevereiro
O Brasil está em clima de festa
Só se fala em carnaval o tempo inteiro
E nada mais interessa
O Blink voltou e as aulas também
Foi o mês das voltas
Pelo menos ele é curto, ainda bem

Março chegou sem fazer barulho
Na escola nenhuma conclusão
E no mundo pouca solução
Dia 24, primeiro show do ano
Cantar e se divertir foi nosso simples plano
Mas esse não foi um mês tão bom, vocês lembram o que aconteceu?
É triste lembrar, mas o Clodovil morreu.

Abril já começa com uma mentira
Mas isso é muito relativo
A natureza mostra sua ira
E os terremotos deixam poucos vivos
Vamos comemorar, o big brother acabou de acabar
Mas não fiquem tão animados, pois a fazenda já vai começar
Também teve a páscoa, como pudi esquecer
Amigo chocolate só com seis pessoas, quase impossível de esconder.

Maio chegou rápido demais
Na escola, os trabalhos acumularam
Mas não estávamos tão burocráticas como em tempos atrás
Num dia, Museu afro Brasil pra ver um artista
Noutro dia, correr atrás de um pen drive na Paulista
É, nós não éramos as mesmas
E maio foi bem legal
O Brasil também não era o mesmo
E a Crise econômica chegou de forma brutal

Junho começa com grandes acontecimentos
O blog Heróis e Trapaceiros nasce
E agora dividimos histórias, opiniões e sentimentos
Dia 14, todos se divertem na Parada gay
Dia 25, Michael Jackson morre e todos dão adeus ao rei

Julho é, de fato, o mês mais esperado
Ele vem acompanhado das férias e alguns desejos programados
A internet distrai e o vício se torna oficial
No nosso caso, por exemplo, ele se chama sobrenatural

Agosto é um mês duvidoso
Uns dizem até que o “mês do cachorro louco”
Mas nunca vejo nada tão perigoso
A única coisa assustadora esse ano foi o porco
Pensando bem, deve ter alguma coisa macabra
No dia 8 quase morremos a facadas

Setembro foi o mês da palhaçada
Tanto na escola quanto na política tudo parecia piada
No circo dos engravatados o espetáculo já tinha esgotado
Todos queriam ver “caso Sarney arquivado”
E no circo dos alfabetizados o espetáculo também já tinha esgotado
Todos queriam ver “a democracia e seu novo significado”
Um nariz de palhaço era a resposta pra tudo
Compre o seu e finja-se de surdo e mudo
Contudo, dizem que o bom da vida é que existe o dia de amanhã
E no nosso caso tudo se resolveu no show do Forfun

Outubro vem cheio de esperança
Setembro foi tão ruim que dele só queremos distância
Os trabalhos da escola estavam diferentes
Anhangabaú e Pinacoteca,
As idas ao centro se tornaram freqüentes
Enquanto isso, o Brasil aplaude, o Brasil comemora
2016 Olimpíadas no rio e 2014 a Copa
Gerar empregos e desviar mais verbas
Vamos correr para reestruturar um país
E quem sabe tira-lo da merda

Novembro chega com descobertas
O pré-sal é a nova sensação
O lucro é prioridade e foda-se a emissão
Na zona sul de São Paulo, um vídeo é divulgado
Alunos destroem escola e professores ficam desesperados

Dezembro chega antes da hora
Tudo acontece ao mesmo tempo e estou perdida até agora
Muitas expectativas frustradas
As férias não são as melhores
E a COP 15 não deu em nada

O tempo passa rápido
As férias vão acabar
E voltaremos a rotina que tanto amamos odiar
As eleições também estão chegando
Não esqueça de pesquisar e questionar
Pois nós é que devemos fazer tudo mudar

Acontecimentos mundiais e pessoais 2009 acabou
E hora de usar o adjetivo “próspero”, pois 2010 chegou.

Feliz ano novo!

Arte de sobreviver

Medo no olhar,
Sangue fervendo
Palpitações fortes.
Uma correria sem fim.
Bocas para alimentar
Desonestidade no ar
Injustiças aos montes.
Gritos de alerta: "Olha o rapa"
É a hora do mais forte

"Eles vem com fogo em cima é melhor sair da frente,
Tanto faz ninguém se importa se você é inocente"

Olhares de indagações, frustações e receio.
"São essas lojas, usurpadoras"
A senhora reclama.
Enquanto eles voltam sorrindo
O medo escorre por suas faces,
A sua força de vontade o encoraja
A espreita alguém pergunta: "Eles já foram?"

Seu olhar aflito, agora só observa uma foto
Uma criança a sorrir.
Ele devolve o sorriso aliviado.
Nem todos aqui são ladrões, ele pensa.


É a hora do mais forte!



Trecho de Veraneio Vascaina - Capital Inicial.

28 dezembro, 2009

Aproveite a noite

Essa é uma versão um pouco macabra diferente da história anterior.

Final de dezembro. Era madrugada de sexta, as ruas estavam vazias; muitos viajaram e a chuva de verão espantou o restante. Exceto Charlie que cantarolava uma música estranha no ponto de ônibus. Ele estava vestido com uma bermuda escura e uma camisa xadrez vermelha, o que deixava evidente que não vinha do trabalho; carregava uma mochila nas costas, o que levantava  a possibilidade  dele estar voltando de um passeio. Ele olhava para os lados calmamente, já era tarde e não passaria nenhum ônibus por ali e ele parecia saber disso, porém continuava a olhar ao seu redor, talvez esperasse os ônibus voltarem a rodar ou apenas aguardava um amigo. Pouco tempo depois, avistou duas sombras ao longe, enquanto elas se aproximavam ele esboçava um sorriso, de certo devia conhecê-las. Eram dois homens, um era moreno e alto e outro era loiro e um pouco mais baixo. Eles conversavam alto e andavam devagar. Quando chegaram ao ponto, encararam Charlie com certa surpresa, mas não pareciam conhecê-lo e então perguntaram:
- Você sabe que não passa ônibus aqui a essa hora, não é? – o moreno perguntou
- Sei sim, estou esperando um amigo! - disse-lhes num tom indecifrável.
- Está bem, então nós já vamos. Tchau!– o loiro disse de repente                 
- Esperem! Como vocês se chamam?
- Tom – disse o moreno
- E eu sou Pedro – disse o loiro
- Ok. Eu sou Charlie
Eles se afastaram, Tom acenou para Charlie que apenas assentiu com a cabeça. Naquele momento a cidade ganhava um clima diferente, uma certa agonia. Involuntariamente, Tom e Pedro começaram a andar mais rápido, mas continuavam conversando alto. Passaram por outro ponto e lá estava Charlie, eles ficaram espantados e perguntaram:
-  Como você chegou aqui tão rápido? – Tom disse tentando conter o medo na voz
- Cortei caminho, estou esperando um amigo.
Pedro finalizou o assunto e saiu andando com Tom. Eles foram caminhando e passaram por outro ponto e lá estava Charlie de novo, e sempre que indagado respondia que estava a espera de um amigo. Tom achava que eles estavam tendo alucinações, e então resolveu atravessar a avenida e ir para um lugar que ele conhecia. Eles passaram por mais dois pontos e Charlie não estava lá, de fato eram alucinações. Quando passavam por uma ponte viram uma pessoa agachada no chão, ela  se levantou dizendo alguma coisa inaudível enquanto ameaçava pular da ponte. Pedro reconheceu a pessoa e gritou:
- Charlie, não faça isso!
Charlie se virou sorrindo e disse:
- Meu amigo está me esperando.
Tom tentou correr e impedir, mas não chegou a tempo. Charlie se jogou e não tinha nenhum vestígio. Pedro percebeu que tinha algo escrito no chão: Carpe Noctem*. Os amigos se entreolharam e correram. O sol estava nascendo e eles estavam cansados. Chegaram no ponto e lá estava Charlie.

* Carpe Noctem: aproveite a noite em latim

Aproveite o acaso

Final de dezembro. Era madrugada de sexta, as ruas estavam vazias; muitos viajaram e a chuva de verão espantou o restante. Exceto Charlie que cantarolava uma música estranha no ponto de ônibus. Ele estava vestido com uma bermuda escura e uma camisa xadrez vermelha, o que deixava evidente que não vinha do trabalho; carregava uma mochila nas costas, o que levantava  a possibilidade  dele estar voltando de um passeio. Ele olhava para os lados calmamente, já era tarde e não passaria nenhum ônibus por ali e ele parecia saber disso, porém continuava a olhar ao seu redor, talvez esperasse os ônibus voltarem a rodar ou apenas aguardava um amigo. Pouco tempo depois, avistou duas sombras ao longe, enquanto elas se aproximavam ele esboçava um sorriso, de certo devia conhecê-las. Eram dois homens, um era moreno e alto e outro era loiro e um pouco mais baixo. Eles conversavam alto e andavam devagar. Quando chegaram ao ponto, encararam Charlie com certa surpresa, mas não pareciam conhecê-lo e então perguntaram:
- Você sabe que não passa ônibus aqui a essa hora, não é? – o moreno perguntou
- Sei sim, estou esperando os ônibus voltarem a rodar! - disse-lhes calmamente
- Mas ainda faltam umas três horas. Por que você não vem conosco? – o loiro indagou de repente
Depois de um breve momento ele concordou. Os três saíram andando e em pouco tempo já estavam rindo. Eles conversavam o tempo todo. O moreno se chamava Tom e o loiro Pedro. A rua continuava vazia e os comércios fechados, naquele momento a cidade era deles. Eles beberam, cantaram e correram até que caíram na calçada. Ainda gargalhando, eles sentaram num degrau e começaram a conversar. Tom perguntou a Charlie:
- De onde você estava vindo? – disse com uma leve ansiedade
- Eu vim de casa – disse entre soluços – estava sufocado, aí eu me perdi e... é uma longa história e eu não estou são o bastante pra lembrar. – disse rindo
- Mas pra quê a mochila? – Pedro indagou
- São livros, tinha que trazer passatempos. As pessoas viajam no fim do ano, como eu ia adivinhar que eu encontraria duas pessoas mais loucas do que eu; aliás, e vocês para onde iam? Ou de onde vinham? – indagou Charlie com súbita curiosidade
- Eu não tinha nada pra fazer e peguei o primeiro ônibus que passou perto da minha casa, desci em qualquer ponto e vim andando até chegar aqui!- Pedro respondeu calmamente como se isso fosse sua rotina.
Os outros se entreolharam e sorriram
- Bom, eu estava voltando da casa dos meus tios e parei para descansar até que encontrei esse louco no caminho – Tom disse apontando para o Pedro.
Eles continuaram conversando, discutindo as casualidades e rindo das coincidências. O tempo foi passando e  eles acabaram dormindo na rua mesmo.  sol nasceu e as pessoas voltavam a circular. Charlie foi o primeiro a acordar, deixou um bilhete e voltou para o ponto. Tom acordou logo em seguida e fez o mesmo. Quando Pedro acordou leu os bilhetes e sorriu, pegou uma pedra no chão e escreveu no primeiro degrau: "viva de instantes, aproveite o acaso". Largou a pedra e foi embora. O sol se pôs e a chuva de verão apagou as escritas.

22 dezembro, 2009

Perda

"Mais uma vida jogada fora
Um coração que já não bate mais
Descanse em paz
Sonhos que vão embora antes da hora
Sonhos que ficam para trás"

A tristeza invadiu brutalmente aquele lar
Toda esperança fora substituída pela mais profunda dor
A indignação não deixa descansar
As lágrimas não se deixam cessar
E tudo que resta é pavor

Nada alivia esse sentimento
"A esperança que ele esteja bem seja onde for
Não diminui o vazio que ele deixou"
A dor não tem tratamento
E a morte não tem volta, tudo acabou

Tudo era melancolia
Todo sofrimento era intenso
Toda lembrança ardia
Toda lembrança era um tormento

As lágrimas não cessam
E as feridas estão abertas
As lágrimas não cessam
E a esperança é incerta.

Trechos de Pra onde vai - Gabriel, o pensador

20 dezembro, 2009

Christine

Ainda cheirava a sexo e a tabaco cubano.
Naquela noite Christine estava decidida a esquecer suas lembranças perturbadoras, queria apenas se entregar. Alguma distração provisória. Entrou em um bar por impulso, queria tirar aquele gosto amargo da angustia que percorria sua garganta e logo pediu uma dose de martine puro.

Ficou a observar as pessoas no bar como um assassino a escolher sua vitima. Fitou-os bem nos olhos, como se pudesse ler sua alma, os decifrando. Por alguns instantes sentiu – se ridícula, uma puta vulgar. Sabia que estava vulnerável e que isso resultaria em grandes arrependimentos, mas resolveu arriscar, afinal já não lhes restava dignidade o bastante.

Levantou-se e foi diretamente no homem que a observara desde a sua entrada. Presa fácil, ela pensara. Naquele momento Christine sentia-se poderosa, desejada o suficiente. Aquele sempre fora o seu objetivo.
E se entrelaçaram ali mesmo, em um pequeno quarto vago aos fundos do bar. Sua sede insaciável a fez repetir varias vezes. O estranho agora dormia agarrado a ela que fingia o mesmo. No rosto um sorrido estampado, como de uma missão cumprida. Aquela fora sua primeira vez no jogo.

18 dezembro, 2009

Fotografia

Quadrados ilustrados são tudo que vejo
Pessoas e coisas são tudo que eles ilustram
Talvez as formas ofusquem os anseios
Ou o espectador esteja deixando que eles fujam.

Paisagens bonitas e pessoas sorrindo são o que eu entendo
Mas cores escuras, sombras e ângulos diferentes
Ah, esses me confundem a todo o momento

Sou literal demais
O abstrato e o subjetivo me irritam
Sei que há algo por trás
Mas nunca está ao alcance de minhas vistas

O tempo me faz parar e enxergar
Vejo que há sentimentos
Aqueles quadrados antes tão vazios
Agora ganham fundamentos

A convicção me desperta um desejo
Não deixarei que as possibilidades fujam
Quadrados ilustrados são tudo que vejo
Pessoas e coisas não são nem um terço do que eles ilustram.

14 dezembro, 2009

Ocasionalmente

A cor era cinza
Algumas frestas de luz ao fundo
Um único som vazava pelos meus ouvidos
Um movimento traiçoeiro
Algumas historias no ar
Vontades a mais
Reações contrarias
Um rápido cortejo
Corpos a trafegar
Bebidas ao chão
Uma gota a deslizar
Sapatos nas mãos, sapatos nos pés.
Cheiro de redenção
Estradas marcadas
Sinais de alerta
Marcação acirrada
Som de despedida
Passos forçados
Um sorriso escondido
Sentidos aguçados
Sonhos interrompidos
E apenas uma certeza...
A lua brilhava mais do que nunca.

08 dezembro, 2009

Compromisso

Era fim de tarde, a noite caía e um homem caminhava pela estrada, estava sério e vestia um terno escuro. Seu semblante era tenso, agoniado. Seu olhar era de angústia e dor profunda, parecia sufocar. Andava rápido com passos largos e firmes, tinha um compromisso. O tempo não ajudava, as nuvens se formavam e o vento ficava forte. Mas toda aquela dor escondia sua forte determinação, ele não ia desistir, era sua última chance. Estava concentrado, fitava seu destino como se nada mais importasse, nada mais existisse. Seu trajeto já durava 3 horas, a ventania era cada vez mais forte e o homem lentamente perdia suas forças. Toda sua persistência dava lugar a mais pura melancolia. Agora tudo era escuro, o homem se arrastava para o vazio. O cansaço era evidente e a decepção também, sentia sua última chance escapando entre os dedos. Caiu de joelhos no nada e fechou os olhos, quando os abriu de novo conseguiu enxergar o que estava a sua frente, e subitamente uma lágrima escorreu por seu rosto. Ele estava numa praia, era simples e exatamente o que ele precisava. Seu rosto ganhava vitalidade, seu olhar era como o de uma criança, a euforia o dominava. Começou a se despir e correu para o mar, mergulhou e flutuou. As ondas levaram toda sua dor e trouxeram a serenidade que tanto precisava. Ele, definitivamente, se libertou; esqueceu de tudo e lembrou-se do mais importante: aquele era seu compromisso. O vento levou as nuvens. Estava amanhecendo, o sol começava a se pôr e um homem caminhava pela estrada, estava tranquilo e vestia um terno molhado.

04 dezembro, 2009

Dia do alívio

Não havia novidades no calendário
Era um dia como todos os outros
Só o nosso convívio diário
e algumas conversas pra loucos

Todos estavam se distraindo
Todos estavam sendo legais
Nós estávamos apenas rindo
Parece até que o tempo passou rápido demais

É, o tempo passou rápido
E nós continuávamos no mesmo lugar
É, o tempo passou rápido
e ninguém mais estava lá

E então o boça um herói veio nos fazer companhia
Igualou-se, e sentou ao nosso lado
Humildemente contou sua sabedoria
e assim soubemos que o "dia do alívio" tinha chegado

A conversa fluía
E o desabafo era mútuo
Todas aquelas palavras que nos corroia
Finalmente saíam do oculto

A troca de idéias foi completa,
E todos os assuntos tinham uma ligação
A bajulação foi discreta
E todas as dúvidas tiveram uma explicação

"Nem alegria e nem tristeza,
Foi o dia do alívio “

Pretos e brancos se combinam

Eu nasci em um mundo suspeito
Onde cor valia mais que respeito
Até a policia chegar e fazer do seu jeito
Sem falar nos direitos
Disseram que nunca seria aceito

Caminhando por um beco estreito
Construindo o meu conceito
Via-me satisfeito
Tirando qualquer proveito

Até me chamarem de ladrão
Dizer que eu sou cuzão
Que nunca faria parte do povão
Sobrava-me indignação

Tiraram o meu ganha pão
Jogaram o meu nome no chão
Cuspiram humilhação
Dizendo que NEGRO de nada vale não.

Mais sigo em frente
Porque também sou gente
Um componente
De mente ciente

Continuo competente
Nada que me torne diferente
Essa escoria deprimente
Deixa tudo mais evidente

Minha raça descendente
Mostra-se de forma benevolente
Toda a minha reluzente
Energia incandescente
De se sentir LIVRE!