24 novembro, 2009

Aos mestres

Há algo novo em meu rosto, mas não tenho tempo pra descobrir o que é. Hoje é o dia marcado, temos que nos preparar. Muita coisa em pouco tempo. Passada a correria, tudo está pronto, mas a ansiedade não nos deixa descansar, revisamos cada detalhe. A hora se aproxima e os risos ficam histéricos; a imaginação fértil satiriza a realidade, mas nem esses devaneios nos desconcentram, estávamos realmente prontas.

É chegada a hora, e eis a grande surpresa do dia: nada acontece. Exatamente nada. Uma hora de espera e nenhuma mísera explicação de nossos queridos “mestres”, aliás, como pudi esquecer, tivemos sim uma explicação; uma explicação estúpida e decorada por um personagem secundário, um verdadeiro insulto a nossa inteligência. Apresento-lhes agora nossa democracia, democracia na qual participamos obedecendo, reverenciando e nos calando. Democracia em que somos obrigados a ter compromisso, enquanto eles só estão fazendo um favor. Democracia na qual o problema é resolvido sem a opinião dos mais prejudicados. Democracia em que simplesmente não temos direito de saber.

Há algo novo em meu rosto e em todos os outros ao meu redor. Não consigo identificar, acho que estou tonta. A falsidade é tóxica, a hipocrisia é corrosiva e a decepção inflamável. Um espirro vem a tona, e é quando eu finalmente descubro a novidade em meu rosto: uma bola vermelha na ponta do meu nariz. Bem vindo ao circo dos alfabetizados.

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