15 julho, 2009

O encantador de pipas.

Era julho, as folhas das árvores já estavam ao chão,
era o começo do inverno. Nada parecia mais mórbido.
O céu estava acinzentado. Nada se via, além das
gigantescas nuvens carregadas, todas amontoadas
sobre as outras, como se estivessem tentando impedir
da luz entrar. As ruas cheiravam a solidão e humidade.
Até os pássaros resolveram não cantar. Haviam poucas
pessoas perambulando pelas ruas, todas cabisbaixas, com
um semblante frio e arredio. Agora não havia mais
comprimentos, nem grandes sorrisos. A gentileza os
abandonara. Sempre com muita pressa.
Os prédios agora estavam cada vez mais feios, sem vida
e sem cor. A cidade inteira, parecia estar de luto eterno.
Até os carros pareciam mais silenciosos. Os mais
valentões da cidade, agora estavam em suas casas,
todos quietos, nada os perturbaria.
Ao observar tudo aquilo, me senti inteiramente perturbada,
sentimentos isolados vieram a tona, me deixando aflita.
Até que ouvi pequenos gritos, mas esses não pareciam de
tormento, eles eram de euforia, alegria, mais precisamente.
Ao olhar para trás, avistei um pequeno grupo de crianças a
correr, se empurrando e dando gargalhadas. Estavam todas
se amontoando em cima de um garoto que estava a soltar
um pipa. Tropeçando e caindo sem olhar para trás, elas
apenas observavam como a pipa voava no céu, e como aquilo as encantava.
Os olhos delas brilhavam como nunca, como
se aquilo fosse tudo o que elas precisavam.
Enfim, pararam na minha frente, agora todos falavam ao mesmo tempo, algo como:
- É a minha vez.
- Olha como ela voa.
- Está tão alta.

E o garoto que segurava o pipa, parecia estar hipnotizado.
Aquilo com certeza o tranquilizava.
Enquanto os garotos faziam festa, a cidade parecia renascer.
Era julho, as folhas das árvores já estavam ao chão,
era o começo do inverno.

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