06 fevereiro, 2010

Paranóia programada

Quatro paredes brancas o cercavam. O clima estava assustadoramente calmo e a luz fraca apontando para a maca centralizada contribuía para isso. Dois indivíduos entraram no local, suas vozes eram como murmúrios, as palavras eram inaudíveis, mas continham um tom maquiavélico. Estava deitado na maca, olhava para o teto tentando se concentrar, mas o som do bisturi era desagradável. Mantinha as mãos entrelaçadas sobre a barriga, e mordia o lábio inferior para conter sua angustia. Um dos indivíduos se aproximou com a seringa, segurou sua cabeça, e logo não sentiu mais nada, estava sob efeito da anestesia. Privado de um dos sentidos, ele ficou apavorado; tentava olhar a seu redor, mas não conseguia, sua vista estava embaçada; quando tentou limpar seus olhos sentiu o cheiro de sangue e o viu escorrendo pelos dedos. Começou a gritar por socorro e então o outro indivíduo apertou seu braço aplicando um tranqulizante. Não sentiu mais nada, a inconsciência o vencera. Uma hora depois ele acorda sozinho, levanta-se confuso e então uma mulher bate na porta; percebendo que não tinha a visto antes, pergunta curioso:
- O que aconteceu comigo?
- Tentaram arrancar sua sanidade, mas não conseguiram. Você não cedeu. – respondeu a mulher friamente
Atordoado com aquela explicação, não ousou questionar mais nada. Saiu rapidamente do local e enquanto tentava assimilar o que havia acontecido, ele ouvia a mulher gritar:
- Próximo!

Nenhum comentário:

Postar um comentário