28 fevereiro, 2010

Limite escolar

As vezes os textos que fazemos na escola são tão desprezíveis, não por erros gramaticais ou ortográficos, mas pela perda do seu real sentido. Há uma espécie de obrigação, que nem sempre é vantajosa (como no meu caso), é claro, que existem redações ótimas até porque algumas pessoas lidam bem com pressão, acho que é como um incentivo; mas toda essa burocracia como número de linhas, curto tempo e temas abrangentes demais, limitam e confundem um pouco. Entendo que é necessário, pois é isso que nos cobrarão mais tarde, mas acho que são completamente descartáveis no momento inicial. Já ouvi dizer que textos e poemas são como partos, demorados e dolorosos, portanto, acredito que textos escolares sejam como partos induzidos: o bebê nasce rápido, mas nem sempre saudável.

3 comentários:

  1. É pois é, traduz tudo o que eu penso.

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  3. Então, menina . Creio que seja um momento oportuno para tecer comentários sobre teus textos; mais especificamente, o último. Uma frase de Voltaire sintetizará minhas palavras: “Não concordo com o que dizes, mas lutarei para defender teu direito de dizer”. Explico: este é o momento ideal para diagnosticar; não outro. É agora que dimensiono a competência dos educandos para depreender o tema, escrever de acordo com a proposta, obedecendo a princípios mínimos para o gênero textual mencionado, conforme os moldes do Enem. Adiar a avaliação poderia significar mais do que adiar o tratamento: poderia ser sinônimo de morte pré-parto. Nesse sentido, mesmo não sendo “saudável”, ainda resta o tratamento (que, aliás, continuará. Do meu planejamento consta para semana que vem; para poderes rever a redação, bem como dela cuidar).
    Mas defendo teu direito por três motivos: 1) tua opinião é inerente a sua condição humana (graças a Deus, tu a exerces muito bem); 2) tua relação com o texto é parecida com a minha. Escrever não é questão de técnica apenas; essa aparece somente para garantir que a expressão surja, revele o intrínseco e arrepie o corpo. Assim, todo texto é como uma gestação: é preciso esperar como quem espera um anjo; é preciso embalar, ninar ainda na barriga; é preciso sonhar com o futuro antes de vir ao mundo; é preciso ser coruja para ter orgulho do rebento que chegará (e mesmo sabendo que será plebeu, dispensar um tratamento real). Quando nasce então, né? A gente fica chato demais; quer exigir de vez em quando que o texto seja o que ele não é; é uma cobrança, né? Sinto-me um pai exagerado (“você deveria ser melhor, cara”; “é mediano, sabe?”), mas não pouco apaixonado... (E aí quero mexer com ele, como se já não tivesse vida própria, sabe?) Então, resumindo, EU TAMBÉM ODEIO ESCREVER SOB PRESSÃO... Ainda mais eu, que tenho facilidade, que sou professor, ouço frases como “escreve aí, você sabe”, “não precisa se preocupar”. As pessoas não entendem a afetividade com que se deve tratar a palavra. Merece mais do que muitas pessoas, mesmo considerando-as humanas... Enfim, e com a redação escolar, muitas vezes (senão todas) é assim; 3) é bem banal, tenho grande carinho por ti.
    Beijos!
    PS: deves uma redação pra mim, guria! (Ah! Ah! Ah!)

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