01 janeiro, 2010

A nossa música nunca mais tocou.

Amanhecera novamente em São Paulo, uma leve brisa fria acompanhava o sol que se erguia no céu. Filipe acordara ao som de Cazuza.
“Às vezes te odeio por quase um segundo, depois te amo mais...”.
Sonhara mais uma vez com Ana, e no dia em que as horas pareceram anos.

... 

Foi em alguma praça do centro. Filipe estava apreensivo, olhava as horas com certo receio, sua ânsia parecia corroê-lo. Andava de um lado para outro, às vezes alternava e sentava em um banco qualquer, batia o pé no chão involuntariamente varias vezes. Estava à espera de Ana, que estava atrasada 20 minutos.

Algumas folhas secas caiam no exato momento em que Ana chegara, depois de 35 minutos de espera. Com um caminhar tranqüilo, trazia um sorriso misterioso que a deixara muito mais linda aos olhos de Filipe, que agora a olhava estático, deixando escapar um sorriso de alivio.

Ana o olhara nos olhos com certa tristeza. Filipe temia por qualquer reação. Antes de Ana tentar delinear qualquer tipo de palavra, Filipe abraçou-a e em silencio beijou seus lábios. Ana esquivou-se e segurando sua mão, disse a Filipe o que ele tentara não aceitar a semanas. “Você sabia que isso não ia dar certo, sinto muito”.

... 

Filipe levantara e afagando os cabelos olhou um retrato de Ana a sorrir que estava em sua cabeceira. Pegou-o em mãos e suspirando, jogou-o fora. Naquele momento ele sentira o beijo que não lhe foi correspondido.
“Será que você ainda pensa em mim, será que você ainda pensa...”.


Trechos de Quase um segundo – Cazuza.

Um comentário:

  1. Ai q lindo Dih
    Boa expressão da delicada tarefa de aceitar que o que tanto estima não existe mais.
    ,.
    *

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