31 janeiro, 2010

Conflito confuso

Maldita briga
Era só um desentendimento bobo,
Mas os ânimos estavam alterados
Tudo saiu do controle
A discussão virava guerra
E as palavras uma arma
Palavras envenenadas e violentas
Verdades brutalmente cuspidas
Acusações hostis e mentiras contraditórias
As palavras são como bombas que nos mesmos programamos
E seus estilhaços cortam e demoram a cicatrizar
As palavras machucaram e ambos saíram feridos
Mau dita briga

Pequenos desvios

Nós, brasileiros, somos muito solidários; um terremoto atinge um país de outra região e nós fornecemos mais de R$380 mil sem hesitar. É, a cada dia me convenço de nossa solidariedade, pois moradores de bairro na zona leste de SP estão completamente desestruturados há mais de um mês devido as enchentes, mas nosso super prefeito com sua grande generosidade não deixou de os ajudar, distribuiu 1 tonelada de promessas e 350kg de desculpas.

Definitivamente ele é muito bom, batam palmas para o nosso querido prefeito, mais uma vez ele cumpriu sua promessa: não aumentou a passagem em 2009, mas foi só 2010 aparecer no calendário que o nosso transporte ficou mais caro. Cada vez mais pessoas não terão condições de se deslocar para outros lugares, mas vamos pensar pelo lado bom: elas vão ter mais tempo para assistir o melhor reality show de todos, 17 pessoas confinadas em uma casa cercadas por câmeras, muito produtivo, não é?

Muitas pessoas morreram festejando em Angra dos Reis, Ilha Grande, São Luiz de Paraitinga, os deslizamentos de terra não param de acontecer; mas quando o Carnaval está chegando nada mais importa, as bundas estarão em todos os canais e o que seria mais importante que isso? Eu realmente não sei.

24 janeiro, 2010

O haiti é aqui

É difícil aceitar o fardo desta terra incomum
Por que teu seio ainda chora?
Por que tentas nos expulsar daqui?
Somos homens de poucas virtudes sem seus recursos

Perdoe-nos por destruir suas graças
Perdoe-nos por desobedecer a suas regras
Pois nós, homens de pouca fé, somos gananciosos.
E as pedras preciosas nos parecem hipnotizar,
Transformando-nos em animais.

Tua ira parece cair sobre nós como pecados eternos
Mostrando-nos mais uma vez a tua grandeza.

Há muito sangue derramado
Poucos de nós continuam aqui, esperançosos.
A tua conseqüência será nossa verdade
Pois nossos olhos foram lavados.
E tornaremo-la farta novamente.

Olhe por nós.

01 janeiro, 2010

A nossa música nunca mais tocou.

Amanhecera novamente em São Paulo, uma leve brisa fria acompanhava o sol que se erguia no céu. Filipe acordara ao som de Cazuza.
“Às vezes te odeio por quase um segundo, depois te amo mais...”.
Sonhara mais uma vez com Ana, e no dia em que as horas pareceram anos.

... 

Foi em alguma praça do centro. Filipe estava apreensivo, olhava as horas com certo receio, sua ânsia parecia corroê-lo. Andava de um lado para outro, às vezes alternava e sentava em um banco qualquer, batia o pé no chão involuntariamente varias vezes. Estava à espera de Ana, que estava atrasada 20 minutos.

Algumas folhas secas caiam no exato momento em que Ana chegara, depois de 35 minutos de espera. Com um caminhar tranqüilo, trazia um sorriso misterioso que a deixara muito mais linda aos olhos de Filipe, que agora a olhava estático, deixando escapar um sorriso de alivio.

Ana o olhara nos olhos com certa tristeza. Filipe temia por qualquer reação. Antes de Ana tentar delinear qualquer tipo de palavra, Filipe abraçou-a e em silencio beijou seus lábios. Ana esquivou-se e segurando sua mão, disse a Filipe o que ele tentara não aceitar a semanas. “Você sabia que isso não ia dar certo, sinto muito”.

... 

Filipe levantara e afagando os cabelos olhou um retrato de Ana a sorrir que estava em sua cabeceira. Pegou-o em mãos e suspirando, jogou-o fora. Naquele momento ele sentira o beijo que não lhe foi correspondido.
“Será que você ainda pensa em mim, será que você ainda pensa...”.


Trechos de Quase um segundo – Cazuza.