28 dezembro, 2009

Aproveite a noite

Essa é uma versão um pouco macabra diferente da história anterior.

Final de dezembro. Era madrugada de sexta, as ruas estavam vazias; muitos viajaram e a chuva de verão espantou o restante. Exceto Charlie que cantarolava uma música estranha no ponto de ônibus. Ele estava vestido com uma bermuda escura e uma camisa xadrez vermelha, o que deixava evidente que não vinha do trabalho; carregava uma mochila nas costas, o que levantava  a possibilidade  dele estar voltando de um passeio. Ele olhava para os lados calmamente, já era tarde e não passaria nenhum ônibus por ali e ele parecia saber disso, porém continuava a olhar ao seu redor, talvez esperasse os ônibus voltarem a rodar ou apenas aguardava um amigo. Pouco tempo depois, avistou duas sombras ao longe, enquanto elas se aproximavam ele esboçava um sorriso, de certo devia conhecê-las. Eram dois homens, um era moreno e alto e outro era loiro e um pouco mais baixo. Eles conversavam alto e andavam devagar. Quando chegaram ao ponto, encararam Charlie com certa surpresa, mas não pareciam conhecê-lo e então perguntaram:
- Você sabe que não passa ônibus aqui a essa hora, não é? – o moreno perguntou
- Sei sim, estou esperando um amigo! - disse-lhes num tom indecifrável.
- Está bem, então nós já vamos. Tchau!– o loiro disse de repente                 
- Esperem! Como vocês se chamam?
- Tom – disse o moreno
- E eu sou Pedro – disse o loiro
- Ok. Eu sou Charlie
Eles se afastaram, Tom acenou para Charlie que apenas assentiu com a cabeça. Naquele momento a cidade ganhava um clima diferente, uma certa agonia. Involuntariamente, Tom e Pedro começaram a andar mais rápido, mas continuavam conversando alto. Passaram por outro ponto e lá estava Charlie, eles ficaram espantados e perguntaram:
-  Como você chegou aqui tão rápido? – Tom disse tentando conter o medo na voz
- Cortei caminho, estou esperando um amigo.
Pedro finalizou o assunto e saiu andando com Tom. Eles foram caminhando e passaram por outro ponto e lá estava Charlie de novo, e sempre que indagado respondia que estava a espera de um amigo. Tom achava que eles estavam tendo alucinações, e então resolveu atravessar a avenida e ir para um lugar que ele conhecia. Eles passaram por mais dois pontos e Charlie não estava lá, de fato eram alucinações. Quando passavam por uma ponte viram uma pessoa agachada no chão, ela  se levantou dizendo alguma coisa inaudível enquanto ameaçava pular da ponte. Pedro reconheceu a pessoa e gritou:
- Charlie, não faça isso!
Charlie se virou sorrindo e disse:
- Meu amigo está me esperando.
Tom tentou correr e impedir, mas não chegou a tempo. Charlie se jogou e não tinha nenhum vestígio. Pedro percebeu que tinha algo escrito no chão: Carpe Noctem*. Os amigos se entreolharam e correram. O sol estava nascendo e eles estavam cansados. Chegaram no ponto e lá estava Charlie.

* Carpe Noctem: aproveite a noite em latim

2 comentários:

  1. Caralho fico muito bom, adorei as duas histórias muito envolventes. Depois eu que sou a foda né.

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  2. rsrs, queria ter feito um pouco mais de suspense mas enfim...foi o que deu.

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