“Há um naufrago no mar”.
Gritava um marujo que averiguava o navio, perturbando a silenciosa noite que era banhada pela luz da lua e toda a sua graciosidade. E o marujo continuara a gritar: “Há um naufrago no mar”. Seus gritos de socorro pareciam adentrar a calada da noite e fazer parte dela, assim não fazendo nenhuma diferença. Seus companheiros nem se moveram, seu barulho se tornara inaudível.
O marujo havia avistado um homem dentro de um bote, aparentava ter vestes surradas. Logo o marujo associou que ele estava há muito tempo no mar. Seu desespero foi de imediato, tentou algum tipo de comunicação com o naufrago e todas as suas tentativas foram falhas. Nenhum barulho, nenhuma resposta, nem mesmo uma olhada. O naufrago permanecia o mesmo desde a sua aparição, de olhos fixos, mais precisamente voltados para o espaço.
O marujo percebeu então que o naufrago não clamava por socorro, não parecia incomodado, ele apenas fitava a imensidão do céu, as estrelas e a lua com um olhar incógnito, misterioso. O marujo se calou por alguns instantes pousando seu olhar no naufrago, o analisou de cima a baixo e ficou esperando qualquer tipo de reação. Alguns minutos se passaram, e apesar do cansado o marujo ainda queria decifrá-lo, havia algo muito estranho naquele homem, e ele tinha que descobrir. O marujo sempre fora um homem muito “incucado” com as coisas, sempre querendo achar razões e explicações, e não havia ninguém que o convencesse do contrario.
As horas haviam passado, e a sua visão estava cansada, seu corpo pedia um leito confortável para dormir, mais sua mente o forçava a continuar ali. O marujo estava decidido a abandonar seu posto, achou que fosse algum devaneio que sua mente o aprontara. Compôs-se, esticou os ossos e deu um pequeno adeus para o naufrago, virando-lhes as costas, ele ouve um longo assovio, quase cantarolando a musica que havia o deixado louco todo o dia, repetindo-se incansavelmente em sua mente. Voltou a olhar o mar a procura do Naufrago, até avistá-lo mais ao longe, em cima do bote acenando para ele. Ficou estagnado, sua visão agora começara a embaçar, até não poder ver nada a sua frente.
O naufrago havia dormido, sonhara mais uma vez com sua ultima viagem, voltando sempre para o mesmo lugar.
(palma crescente)
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