27 novembro, 2009

Cronômetro

Ansiedade 
Essa tortura que é constante
Seu olhar parece alcançar a imensidão
Movimentos cruciais
As horas parecem parar
E o ar... Ah, ele parece faltar.

As sensações são múltiplas
E o colapso dificulta
É como se perder em pequenos trechos vitais.
Suas vísceras parecem pestanejar
O ato é costumeiro,
Regido por ações não substanciais

Tome mais um gole
E se sinta flutuar
As lições são as mesmas
Então escolha a sua tortura
Até o relógio despertar.

24 novembro, 2009

Viva as vivências

A mudança é permanente
E olhar é distraído
O mundo não é sua mente
Não olhe só para frente
Não se mantenha tão comedido

A mudança é constante
E olhar é influenciável
O mundo precisa de um ser pensante
Deixe de ser um livro preso na estante
Antes que isso se torne inevitável

O olhar é distraído
E a mudança é permanente
A vida não é feita só de um ruído
Apenas seja mais contente

O olhar é influenciável
E a mudança é constante
Faça algo notável
Viva de instantes

As coisas mudam quando menos se espera
O problema é que nunca estamos esperando
Os problemas vêm e vão antes da primavera
E as alegrias também vão passando

A mudança é permanente
E o olhar é distraído.

Aos mestres

Há algo novo em meu rosto, mas não tenho tempo pra descobrir o que é. Hoje é o dia marcado, temos que nos preparar. Muita coisa em pouco tempo. Passada a correria, tudo está pronto, mas a ansiedade não nos deixa descansar, revisamos cada detalhe. A hora se aproxima e os risos ficam histéricos; a imaginação fértil satiriza a realidade, mas nem esses devaneios nos desconcentram, estávamos realmente prontas.

É chegada a hora, e eis a grande surpresa do dia: nada acontece. Exatamente nada. Uma hora de espera e nenhuma mísera explicação de nossos queridos “mestres”, aliás, como pudi esquecer, tivemos sim uma explicação; uma explicação estúpida e decorada por um personagem secundário, um verdadeiro insulto a nossa inteligência. Apresento-lhes agora nossa democracia, democracia na qual participamos obedecendo, reverenciando e nos calando. Democracia em que somos obrigados a ter compromisso, enquanto eles só estão fazendo um favor. Democracia na qual o problema é resolvido sem a opinião dos mais prejudicados. Democracia em que simplesmente não temos direito de saber.

Há algo novo em meu rosto e em todos os outros ao meu redor. Não consigo identificar, acho que estou tonta. A falsidade é tóxica, a hipocrisia é corrosiva e a decepção inflamável. Um espirro vem a tona, e é quando eu finalmente descubro a novidade em meu rosto: uma bola vermelha na ponta do meu nariz. Bem vindo ao circo dos alfabetizados.

23 novembro, 2009

Acrescente gelo em uma dose de suicídio

Seu status era de inconsciência.
O prontuário dizia que havia entrado em coma.
Foi jogada em uma sala qualquer, completamente sozinha.
A luz que mal se mantinha acessa; piscava,
dando um ar ainda pior ao ambiente, que cheirava a desespero e analgésicos.

Seu status era de inconsciência.
Fora encontrada desmaiada dentre copos de wisky barato e fotografias antigas.
Seu corpo estirado no chão da sala demonstrava toda a sua vulnerabilidade.
E aquela expressão...

Seu status era de inconsciência.
Voltava para casa em estado de declínio mental.
Em sua face escorriam lágrimas negras.
Carregava algumas decepções, derramando algumas tragédias a mais.
Cheirava a bebida e a negações; expectativas mal sucedidas.

Acabara deixando cair uma antiga fotografia,
que continha uma inscrição meio borrada que dizia:
“Eu não consigo mais fingir, me desculpe”.

Seu status era de inconsciência...
A maquina agora fazia um só barulho que se tornara constante.
Seu coração havia parado.

18 novembro, 2009

O maior dos escudos

Ele é inteligente, comandante de todas nossas ações, o receptáculo inesgotável do nosso conhecimento; realmente o admiro, mas como ele pode suportar tanta ignorância e futilidade. Tenho dó, ele não pode sucumbir, é forçado a aguentar. Meus pêsames, querido cérebro.

14 novembro, 2009

A subjetividade de estar vivo

“Há um naufrago no mar”.
Gritava um marujo que averiguava o navio, perturbando a silenciosa noite que era banhada pela luz da lua e toda a sua graciosidade. E o marujo continuara a gritar: “Há um naufrago no mar”. Seus gritos de socorro pareciam adentrar a calada da noite e fazer parte dela, assim não fazendo nenhuma diferença. Seus companheiros nem se moveram, seu barulho se tornara inaudível.

O marujo havia avistado um homem dentro de um bote, aparentava ter vestes surradas. Logo o marujo associou que ele estava há muito tempo no mar. Seu desespero foi de imediato, tentou algum tipo de comunicação com o naufrago e todas as suas tentativas foram falhas. Nenhum barulho, nenhuma resposta, nem mesmo uma olhada. O naufrago permanecia o mesmo desde a sua aparição, de olhos fixos, mais precisamente voltados para o espaço.

O marujo percebeu então que o naufrago não clamava por socorro, não parecia incomodado, ele apenas fitava a imensidão do céu, as estrelas e a lua com um olhar incógnito, misterioso. O marujo se calou por alguns instantes pousando seu olhar no naufrago, o analisou de cima a baixo e ficou esperando qualquer tipo de reação. Alguns minutos se passaram, e apesar do cansado o marujo ainda queria decifrá-lo, havia algo muito estranho naquele homem, e ele tinha que descobrir. O marujo sempre fora um homem muito “incucado” com as coisas, sempre querendo achar razões e explicações, e não havia ninguém que o convencesse do contrario.

As horas haviam passado, e a sua visão estava cansada, seu corpo pedia um leito confortável para dormir, mais sua mente o forçava a continuar ali. O marujo estava decidido a abandonar seu posto, achou que fosse algum devaneio que sua mente o aprontara. Compôs-se, esticou os ossos e deu um pequeno adeus para o naufrago, virando-lhes as costas, ele ouve um longo assovio, quase cantarolando a musica que havia o deixado louco todo o dia, repetindo-se incansavelmente em sua mente. Voltou a olhar o mar a procura do Naufrago, até avistá-lo mais ao longe, em cima do bote acenando para ele. Ficou estagnado, sua visão agora começara a embaçar, até não poder ver nada a sua frente.

O naufrago havia dormido, sonhara mais uma vez com sua ultima viagem, voltando sempre para o mesmo lugar.

10 novembro, 2009

Preso na garganta

Todos aqueles pesadelos antigos
Se rebelando contra mim; todos eles.
Antigas frustrações agora me perseguem,
Tentando arrancar algumas verdades.

08 novembro, 2009

Intervalo

15h. Intervalo. Talvez a pior parte do dia. Todos estão no mesmo lugar, compartilhando o mesmo espaço e divididos em seus grupinhos medíocres. E eu continuo aqui, apenas os observando. Todas aquelas expressões e atitudes eram distintas, cerca de 30 olhares e todos eram claramente diferentes. Talvez por isso todos eles me pareciam falsos. Pessoas se adaptando e fingindo estar bem. Máscaras de caráter e opiniões socialmente “agradáveis”. Afinal o que, de fato, é a adaptação? Uma fuga de sua personalidade ou apenas um modo de “sobreviver”? Afinal o que é, de fato,a adaptação? Uma escola para hipocrisia ou um mecanismo de defesa?
15h30. As dúvidas persistem. O intervalo chega ao fim. Os números rapidamente substituem as interrogações.

Tempestade de possibilidades

Se a chuva fosse de cores
Será que ficaríamos mais alegres?
Mas e se fossemos de açúcar
Será que a chuva adiantaria?

E se o vento fosse de possibilidades
Será que seríamos mais loucos?
Mas e se fossemos cinzas
Será que o vento nos acharia?

E se os raios fossem medalhas
Será que seríamos mais confiantes?
Mas e se fossemos um poste
Será que os raios nos acertariam?

E se o granizo fosse de bom senso
Será que seríamos menos hipócritas?
Mas e se fossemos água
Será que o granizo nos ajudaria?

E se toda essa tempestade acabar
Será que iremos evoluir?
E se estivermos em casa
Será que a tempestade vai nos atingir?

A tempestade está onde você quer que ela esteja
Não abra o guarda-chuva
Não somos de açúcar,
e se fossemos, o suicídio seria muito mais fácil