10 outubro, 2009

Bingo!

Desejos e idéias reunidos em quatro mentes diferentes. Ideais de longa data prontos para serem expostos. Um nó na garganta pronto para ser desfeito. Naquele momento, planos e possibilidades preenchiam nossa imaginação. Sabíamos tudo que tinha que ser dito, mas a proximidade da hora apagava lentamente nossa memória.
Risos de desespero, nervosismo e muitos devaneios nos faziam companhia. Enfim é chegada a hora.
O compreensivo, a novata, a quebra-galho, o “amigão”, o indiferente e o extremamente irônico; quase todos estavam lá. Os líderes da semana, agora todos juntos. Mesmo com exceções, o ar dissimulado e hipócrita era forte, insuportável. Os olhares nos fitavam de maneiras distintas, desde a indagação até o cinismo. Isso era irritante e perturbador ao mesmo tempo.
Chegamos atrasadas, ninguém nos ouviria. Estávamos em uma espécie de jogo em que os números são prioridade. Esse, definitivamente, era o único interesse daquelas pessoas. Queríamos reivindicar algo importante, mas não importante o bastante para que toda aquela burocracia nos ouvisse. O nosso erro foi esperar e o deles foi nos limitar. Somos números, e perante a sociedade nunca sairemos dessa condição. Somos números, por favor, alguém grite “Bingo!”

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