Já estávamos cheias. Aquela situação já se perdurava por tempo demais, aliás por nossa vida acadêmica inteira.
Numa quinta-feira normal como todas as outras, todos se concentravam em sua própria futilidade. E então ela entrou, despercebida, tentando ocupar seu lugar naquela hierarquia, mas nada conseguiu, acabou exalando todas suas frustrações. Seguiu a aula com gritos, ameaças e pedidos de atenção; porém uma proposta súbita chamou a atenção da burocracia.Ela lhes oferecia nota em troca de autoridade. Enquanto isso, assistíamos a toda aquela situação incrédulas. Éramos o polígono oco da cena.
Já estávamos cheias. Aquela situação já se perdurava por tempo bastante. Toda aquela satisfação pré moldada era o ápice do comodismo crônico e hereditário.
Dentre todo aquele trânsito de cadernos, nos tornamos espectadores, decidindo virar a esquerda. Nossa atitude lhes pareceu sem sentido, mas silenciosamente gritávamos para seus egos inatingíveis:
- Sem sentido é afirmar que sua cópia vale mais que o nosso conhecimento.
Dentre todo aquele distúrbio mental a única frase que nos calou foi:
- Vai explicar?
- Não, vou passar a resposta de vermelho!
30 setembro, 2009
22 setembro, 2009
Indagações ao vento
Quantas personalidades têm sua personalidade?
Quantos caminhos certos você já seguiu?
Afinal, quantos caminhos há nessa cidade?
Quantas histórias você já ouviu?
E quem escreveu sua história?
O que tem além da sua aparência?
Quem vai ler sua história?
Quem foi sua maior influência?
Quantas vezes você só escutou?
Quanto tempo levou para se arrepender?
Aonde seu silêncio o levou?
Será que seus erros são o bastante para você aprender?
Aonde suas perguntas o levaram?
Será que você evoluiu, ou contrariou todos seus princípios?
Quantas pessoas o ajudaram?
Quantas vezes você se sente voltando ao início?
Por que algumas pessoas são tão previsíveis?
Por que não temos resposta pra tudo?
Por que os sons estão inaudíveis?
Será que estou ficando surdo?
Indagações ao vento
Vento que não tem nome, nem endereço
Indagações ao tempo
Paro, penso e logo esqueço
A casa está vazia
O silêncio ecoa
Adoro meus monólogos
Quantos caminhos certos você já seguiu?
Afinal, quantos caminhos há nessa cidade?
Quantas histórias você já ouviu?
E quem escreveu sua história?
O que tem além da sua aparência?
Quem vai ler sua história?
Quem foi sua maior influência?
Quantas vezes você só escutou?
Quanto tempo levou para se arrepender?
Aonde seu silêncio o levou?
Será que seus erros são o bastante para você aprender?
Aonde suas perguntas o levaram?
Será que você evoluiu, ou contrariou todos seus princípios?
Quantas pessoas o ajudaram?
Quantas vezes você se sente voltando ao início?
Por que algumas pessoas são tão previsíveis?
Por que não temos resposta pra tudo?
Por que os sons estão inaudíveis?
Será que estou ficando surdo?
Indagações ao vento
Vento que não tem nome, nem endereço
Indagações ao tempo
Paro, penso e logo esqueço
A casa está vazia
O silêncio ecoa
Adoro meus monólogos
15 setembro, 2009
Vícios e aparências
Mais uma vez aqui. Dessa vez o ônibus não está tão cheio. Quatro ou cinco pessoas talvez. Sempre observo as pessoas lá fora, mas hoje vou observar os personagens internos.
Havia um menino nos bancos do fundo. Vestia uma camisa xadrez e uma bermuda, e guardava olhar intrigante em seu rosto. Ele estava concentrado em seus pensamentos, raramente se distraía. Percebi que ele ouvia música, talvez fosse isso que o estivesse distraindo. Fiquei tentando ouvir também, mas minhas tentativas foram em vão. Deduzi que ele ouvia rock.
Uma mulher entrou no ônibus desconfiada, carregava consigo um livro. Depois de encarar todos os passageiros com um ar assustado, sentou-se perto da porta. Percebi que à medida que liam o livro, seus olhos se emocionavam. Tentei ver o título deste, mas não consegui. Deduzi que era sobre romances
Simpática e sorridente, uma mulher entrou no ônibus. Cumprimentou a todos os passageiros como se já os conhecesse há muito tempo. Sentou-se ao lado de mais duas mulheres. Começaram a conversar sobre o tempo e logo sobre outros assuntos. Falaram desde culinária até suas roupas, falaram de seus filhos e trocaram telefones. Pareceu-me que tinham se tornado amigas. Uma delas se levantou, deu sinal e desceu do ônibus.
Desviei minha atenção para a briga de um casal. Eles falavam ao mesmo tempo, sem ouvir um ao outro. Ouvi algo como “Eu não acredito que você esqueceu!”. Imaginei que fosse aquele tipo de casal que comemora meses de namoro como se já tivessem casados. Isso era meio chato, então mudei de personagem. Meu caderno caiu no chão e rapidamente me levantei para pegá-lo. Quando o peguei, avistei um senhor solitário lá nos bancos da frente. Estava longe, mas consegui ver que estava ansioso. Seu rosto, apesar das rugas, era juvenil. Trazia uma esperança e um certo receio em seus olhos. Não consegui deduzir nada sobre ele.
Julgar é um vício. Julgar errado é inevitável. Ponto final. Todos iam descer. O menino ouvia MPB. O título do livro era “Dias melhores virão”. A mulher simpática era arrogante. O casal estava comemorando 5 anos de casamento. E o senhor solitário foi apenas ao encontro de seu amor.
Os cenários mudam. As atitudes mudam. Sua opinião oscila, mas as pessoas são as mesmas. As pessoas em si sempre serão as mesmas.
Havia um menino nos bancos do fundo. Vestia uma camisa xadrez e uma bermuda, e guardava olhar intrigante em seu rosto. Ele estava concentrado em seus pensamentos, raramente se distraía. Percebi que ele ouvia música, talvez fosse isso que o estivesse distraindo. Fiquei tentando ouvir também, mas minhas tentativas foram em vão. Deduzi que ele ouvia rock.
Uma mulher entrou no ônibus desconfiada, carregava consigo um livro. Depois de encarar todos os passageiros com um ar assustado, sentou-se perto da porta. Percebi que à medida que liam o livro, seus olhos se emocionavam. Tentei ver o título deste, mas não consegui. Deduzi que era sobre romances
Simpática e sorridente, uma mulher entrou no ônibus. Cumprimentou a todos os passageiros como se já os conhecesse há muito tempo. Sentou-se ao lado de mais duas mulheres. Começaram a conversar sobre o tempo e logo sobre outros assuntos. Falaram desde culinária até suas roupas, falaram de seus filhos e trocaram telefones. Pareceu-me que tinham se tornado amigas. Uma delas se levantou, deu sinal e desceu do ônibus.
Desviei minha atenção para a briga de um casal. Eles falavam ao mesmo tempo, sem ouvir um ao outro. Ouvi algo como “Eu não acredito que você esqueceu!”. Imaginei que fosse aquele tipo de casal que comemora meses de namoro como se já tivessem casados. Isso era meio chato, então mudei de personagem. Meu caderno caiu no chão e rapidamente me levantei para pegá-lo. Quando o peguei, avistei um senhor solitário lá nos bancos da frente. Estava longe, mas consegui ver que estava ansioso. Seu rosto, apesar das rugas, era juvenil. Trazia uma esperança e um certo receio em seus olhos. Não consegui deduzir nada sobre ele.
Julgar é um vício. Julgar errado é inevitável. Ponto final. Todos iam descer. O menino ouvia MPB. O título do livro era “Dias melhores virão”. A mulher simpática era arrogante. O casal estava comemorando 5 anos de casamento. E o senhor solitário foi apenas ao encontro de seu amor.
Os cenários mudam. As atitudes mudam. Sua opinião oscila, mas as pessoas são as mesmas. As pessoas em si sempre serão as mesmas.
13 setembro, 2009
Lobotomia
Ficou presa em uma sala com pessoas cegas pela mídia.
Qualquer movimento era vital, gerariam consequencias drasticas.
Tinha em mente um unico pensamento:
"Preciso sair daqui"
E nada que ela falasse seria significativo o suficiente.
Seus semblantes eram de suplica
Já não tinham forças para formar um motim.
Enquanto eu, apenas observava todo aquele caos.
Pessoas presas sentadas a cadeira diante de uma enorme TV.
Seus olhos dilatavam - se, sangravam. Não havia saida.
A essa altura suas mentes já estavam escorrendo por suas faces.
E eu apenas esperava a minha vez.
Já não tinham forças para formar um motim.
Enquanto eu, apenas observava todo aquele caos.
Pessoas presas sentadas a cadeira diante de uma enorme TV.
Seus olhos dilatavam - se, sangravam. Não havia saida.
A essa altura suas mentes já estavam escorrendo por suas faces.
07 setembro, 2009
Sussurro do passado
Tudo estava normal naquele dia. Eu estava sentado as margens do rio, fitando a água esverdeada. A calmaria era plena e confortável. Estava me preparando para deitar, quando ouvi uma cavalaria seguida por muitas pessoas chegando cada vez mais perto. Em seu cavalo, um dos homens chegou as margens do rio. Aquela figura imponente me parecia o líder. Ele ergueu sua espada para cima e sussurrou alguma coisa ininteligível. As pessoas que ali passavam diziam ser um grito, mas sussurro ou grito, o fato é que eu não entendi uma palavra. Depois daquilo, as pessoas ficaram eufóricas, seus semblantes traziam uma certa esperança renovada. Tentei entender o que tinha acontecido, mas as pessoas não me davam atenção. Resolvi esperar e perceber alguma mudança. Hoje, exatos 187 anos depois, não percebi nenhuma melhora significativa, mas finalmente consegui entender o que aquele homem disse. Mas ainda assim, nego-me a acreditar que com palavras tão “bonitas”, nada tenha mudado. Nego-me a acreditar que ele tenha dito “Indepêndencia ou Morte”. Nego-me acreditar porque me sinto morto e extremamente dependente.
Brasil
"Até 1930, a eleição era falsa, mas a representatividade era verdadeira. Depois de 30, a eleição passou a ser verdadeira, mas a representatividade é falsa".
Gilberto Amado
03 setembro, 2009
Corrupção? Donde?
02 setembro, 2009
O conto de Brasília
Era uma vez um cara que quis virar político [não, ele não queria ajudar o país]. Entrou por hipocrisia mesmo, queria experimentar o poder. Fez campanha na TV e no rádio, distribuiu mentiras e fez falsas promessas.
Na favela beijou bebês e doou cestas básicas. No congresso debochou da ingenuidade do povo e vendeu seu voto secreto. Burlou, roubou e extorquiu e foi dissimuladamente arquivado.
No senado admitiu, viajou e arquitetou com seus familiares. Construir empresas fantasmas e contratar laranjas fazia parte de sua rotina.
Comissões, subornos e salários de pessoas inexistentes aumentavam o seu patrimônio, que não estava só no Brasil.
Ele poderia simplesmente ter feito seu trabalho, mas resolveu aderir à moda da corrupção. Não, isso não é um caso isolado, não é um "faz de conta" e muito menos tem final feliz.
Na favela beijou bebês e doou cestas básicas. No congresso debochou da ingenuidade do povo e vendeu seu voto secreto. Burlou, roubou e extorquiu e foi dissimuladamente arquivado.
No senado admitiu, viajou e arquitetou com seus familiares. Construir empresas fantasmas e contratar laranjas fazia parte de sua rotina.
Comissões, subornos e salários de pessoas inexistentes aumentavam o seu patrimônio, que não estava só no Brasil.
Ele poderia simplesmente ter feito seu trabalho, mas resolveu aderir à moda da corrupção. Não, isso não é um caso isolado, não é um "faz de conta" e muito menos tem final feliz.
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