- Ei, traga-me o cardápio, por favor!
- Aqui está senhor.
Numa quinta feira à noite, a recepção não podia ser melhor: alternativas absurdas quentinhas. Vindas de um ser aparentemente superior então, tinha o gosto muito mais saboroso. Gosto de individualismo misturado com indiferença. Azedo. A ânsia de vômito era prevísivel.
- Já escolheu o que vai querer senhor?
- Você tem alguma sugestão?
A repressão chegou aos poucos. Primeiro uma porção de falsa preocupação, uma de oportunidade inviável, depois uma de argumentos estúpidos acompanhado por distorção de opiniões.
- Decidi o que vou pedir. Quero essa metralhadora, uma granada e uma pitada de atenção.
- Atenção com hipocrisia ou sem?
- Sem.
- Ok. Vou trazer.
A hipocrisia era tão evidente, chegava a ser constrangedora. Os princípios burocráticos eram tidos como solução, o aprendizado era só uma possível consequência. Os números eram os anfitriões, eles é que realmente importam.
- Algo mais?
- Vocês têm interesse coletivo aqui?
- No momento está em falta.
Tudo se desgastou. A comunicação foi falha. As contradições internas nos enfraqueciam. As ameaças surtiram efeito e os únicos prejudicados simplesmente se renderam, fecharam a boca e os olhos para os problemas, e ainda acusaram os que se pronunciavam.
- O que o senhor vai beber?
- Uma dose de problemas normais, por favor.
- Com alienação ou não?
- Com alienação e tudo que tenho direito.
Um porre só pra abstrair. Relaxar, refletir e não esquecer. Precisamos de resultados concretos. Amanhã é outro dia, "do the revolution, baby"
- Boa noite, volte sempre!
- Boa noite, com certeza vou voltar.
18 junho, 2010
12 junho, 2010
Empirismo
Era final de tarde, o crespusculo no céu anunciava-se ás 17:00pm.
A lua alta, posicionava-se como de costume. As pessoas trafegavam apressadas, tentavam fugir do frio que lhe incomodavam a espinha, ou apenas da rotina angustiante que vivera no trabalho. Cachorros vagavam em volta dos que ali passavam, causando sensações de irritabilidade. Ônibus lotado, euforia e conversas aleatorias. Buzinas, sirenes. Uma criança a chorar. Imaginara os sorrisos que foram perdidos, os sentimentos nunca confessados e os sonhos que com o tempo foram dispersos.
A lua alta, posicionava-se como de costume. As pessoas trafegavam apressadas, tentavam fugir do frio que lhe incomodavam a espinha, ou apenas da rotina angustiante que vivera no trabalho. Cachorros vagavam em volta dos que ali passavam, causando sensações de irritabilidade. Ônibus lotado, euforia e conversas aleatorias. Buzinas, sirenes. Uma criança a chorar. Imaginara os sorrisos que foram perdidos, os sentimentos nunca confessados e os sonhos que com o tempo foram dispersos.
05 junho, 2010
Clocks and Flowers
"I wish I could say no regrets
And no emotional debts
'Cause as we kissed goodbye the sun sets..."
Com os olhos marejados, ela escutava a canção. Ele lhe trouxera flores, rosas vermelhas, perfumadas e repugnantes. O som estava alto, preenchia todo o lugar, exceto sua mente; eram 2:00 e ela fitava o relógio. - Maldita insônia - pensou em voz alta. O cheiro das rosas era corrosivo, passava por suas narinas despertando um turbilhão de pensamentos rancorosos. 5:00 am, o dia já havia nascido e as notas musicais continuavam a bailar junto a ira, decepção e questionamentos de sua cabeça. Não conseguia abstrair, a cada minuto pensava em algo novo.
8:00 am. Concentrou-se na musica, deixou que ela invadisse seus ouvidos, analisou a letra, diferenciou as notas, buscou por cada detalhe que a desligasse de tudo que a angustiava; decompôs a canção até que se perdeu nela, adormeceu vagarosamente.
16:00 pm despertou renovada, enfim as rosas murcharam.
And no emotional debts
'Cause as we kissed goodbye the sun sets..."
Com os olhos marejados, ela escutava a canção. Ele lhe trouxera flores, rosas vermelhas, perfumadas e repugnantes. O som estava alto, preenchia todo o lugar, exceto sua mente; eram 2:00 e ela fitava o relógio. - Maldita insônia - pensou em voz alta. O cheiro das rosas era corrosivo, passava por suas narinas despertando um turbilhão de pensamentos rancorosos. 5:00 am, o dia já havia nascido e as notas musicais continuavam a bailar junto a ira, decepção e questionamentos de sua cabeça. Não conseguia abstrair, a cada minuto pensava em algo novo.
8:00 am. Concentrou-se na musica, deixou que ela invadisse seus ouvidos, analisou a letra, diferenciou as notas, buscou por cada detalhe que a desligasse de tudo que a angustiava; decompôs a canção até que se perdeu nela, adormeceu vagarosamente.
16:00 pm despertou renovada, enfim as rosas murcharam.
Procura-se uma ilusão
Há tempos procuro uma ilusão
Sem exigências,
curta,
longa,
Só pra distrair,
sonhar melhor
criar expectativas
e dar risada.
Só pra flutuar, não sentir o chão
e simplesmente não poder cair.
Uma ilusão rasa
Talvez só pra entender as pessoas
e tentar acompanhá-las
Ou uma ilusão profunda
para inventar significados
e descobrir virtudes
Enfim, sem exigências
Uma ilusão
Só pra divertir
confundir,
acreditar
e talvez até vivê-la
Sem exigências,
curta,
longa,
Só pra distrair,
sonhar melhor
criar expectativas
e dar risada.
Só pra flutuar, não sentir o chão
e simplesmente não poder cair.
Uma ilusão rasa
Talvez só pra entender as pessoas
e tentar acompanhá-las
Ou uma ilusão profunda
para inventar significados
e descobrir virtudes
Enfim, sem exigências
Uma ilusão
Só pra divertir
confundir,
acreditar
e talvez até vivê-la
03 junho, 2010
Agora que acordei #2
Os olhares aparentemente dispersos,
soltos no ar, bailavam.
E neste vai e vem de sentimentos incompletos,
As perguntas - irrelevantes no entanto,
Levavam a loucura uma mente cheia de desejos sórdidos.
E o pouco de altruísmo que lhe restavam,
Estavam agora apontados para direções opostas.
Era como acordar de um devaneio pungente.
Título de: jardielcarvalho.blogspot.com
soltos no ar, bailavam.
E neste vai e vem de sentimentos incompletos,
As perguntas - irrelevantes no entanto,
Levavam a loucura uma mente cheia de desejos sórdidos.
E o pouco de altruísmo que lhe restavam,
Estavam agora apontados para direções opostas.
Era como acordar de um devaneio pungente.
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