28 abril, 2010

Holiday

Marche de encontro à desaceleração
O monopólio
Impondo as mesmas contradições
Com bases numéricas quase impostas
Quase digeríveis
O velho sistema falho
Obliquo
A insistência da burocracia
Da comodidade
A imposição do maior para o menor
Ou seria propriamente dito:
Do menor ao maior?
O ego usado como perseguição evasiva
Jogando a mesma bosta palatável
Esperando que nossas vísceras
Suportem e se calem.

13 abril, 2010

Mil verdades

Segunda feira de manhã,
mais um dia de trabalho.
Ela acabara de descer no ponto,
Iria esperar outro ônibus
Seus olhos, porém, não estavam atentos a isso.
Ela fitava a multidão atravessando a rua
e entre todos os rostos atrasados e aflitos,
encontrou um par de olhos que a olhava fixamente.
Era um homem, bonito e esguio.
Eles se encararam por um curto e intenso momento
Ela imaginou suas caracteristicas e gostos. E ele também o fez.
Por acaso, ou não, eles pegaram o mesmo ônibus
Descobriram coisas em comum e conversaram o tempo todo

Não,na verdade, não foi isso que aconteceu.
Eu estava lá, eu vi.
Eles realmente pegaram o mesmo ônibus,
mas assim que conversaram ela percebeu
que ele não era nada do que esperava e vice-versa.
Foi como se uma troca de olhares criasse pessoas
e uma troca de palavras as destruisse.
O diálogo foi vazio, eles ficaram mudos a viagem inteira

Não, na verdade, também não foi isso que aconteceu
Eles não pegaram o mesmo ônibus
Só conversaram no ponto,e nunca mais se viram.

Na verdade, eles só se encararam
Na verdade, ele nem atravessou
Na verdade, ela nem desceu naquele ponto.
Na verdade, ela estava de férias.

Na verdade, eu não estava lá.