29 outubro, 2009

Um rabisco

Há um quadro branco nessa história
E entre idéias e risadas há um rabisco
Há um rabisco nessa história
E, no momento, essa é a única música do disco

Agora estou perto e vejo o quanto isso é horrível, sujo, vil
Agora estou perto e sinto raiva, decepção e dor
Agora nada mais importa, o erro foi sutilmente hostil
Agora nada importa, tudo está sem cor

Há um rabisco nessa história
E um apagador não vai adiantar
Há um culpado nessa história
E ele não está disposto a falar

Agora estou longe e vejo as particulas se separando
Agora estou longe e sinto culpa, arrependimento e confusão
Agora tudo é extremo demais, parece que nada está adiantando
Agora tudo é extremo e isso não é uma opção

Há um culpado nessa história
E ele não é de carne e osso
Há um quadro branco nessa história
E espero que ele nos tire do poço

Agora estou parado e vejo o quão minusculo esse rabisco é
Agora estou parado e penso como chegamos até aqui
Agora nada faz sentido, as conspirações são irônicas demais
Agora nada faz sentido, queria voltar atrás

Há um rabisco nessa história,
e eu simplesmente não sei porque.

24 outubro, 2009

Desvio mental

O vento soprou na direção errada
agora os náufragos buscam refúgio
O desvio de atenção parece agradável
Não há riscos e todos tem "final feliz"
De fato, a ilha da alienação está se expandindo

Sorrisos costurados, felicidade ilusória
Olhos e bocas tapados,
cegos e mudos em grande escala
As mentiras estão sendo distribuídas,
Corra e escolha a que mais gosta!

21 outubro, 2009

Atos Impensados

Aquela noite não fora nada fácil a Mary, que horas atrás discutia com John, seu namorado. Discutiam sobre o fato de Mary estar grávida. Aquilo tudo nunca fora planejado pelo casal, e logo isso se tornara uma péssima idéia. Eles não estavam preparados para ter um filho, às vezes mal se viam. Era um fardo muito grande, muita responsabilidade para os dois. Após muita gritaria o silencio dominou a sala, ambos agora se olhavam. John sabia que Mary não poderia ter aquele filho sozinha, ela não conseguiria, também sabia que não conseguiria manter uma família, não agora. John abaixou a cabeça fazendo sinal de negação, ergueu os olhos na direção de Mary, observou-a por um tempo com um olhar intimidador, indeciso. Ele havia achado uma saída, uma que sua mente não poderia aceitar, mas que seria o único jeito de “consertar” as coisas. Mary ansiando reposta, logo bradou: 
- John... Diga-me, o que faremos agora?

John vendo se sem saída, logo disse a solução num tom firme e rápido:
- Aborto. É, isso... Você abortará. Eu arranjarei tudo, não se preocupe amor.

Seus olhos agora inundavam se. Mary nunca fora a favor do aborto, achava isso cruel, desumano. Tentou relutar, gritou aos montes. Sentia-se fraca. Aquilo era um caos. Ajoelhou-se e chorou como jamais havia feito antes, John logo a abraçou acariciando os seus cabelos, e a envolvendo em seus braços fortes ele sussurrou em seu ouvido:
- Nós ficaremos bem, tudo vai dar certo.

Deu um beijo em sua testa, pegou o casaco em cima do sofá e saiu. Mary ficou ali, apenas tentando entender o que acontecera minutos atrás. Ela não queria aceitar o aborto, mas não deixava de pensar que era uma boa opção. Afinal ela sabia que ter esse filho agora só a afundaria, ela não teria como supri-los. Seu salário era à conta das despesas, mal dava para ela manter se. Sabia que John sempre fora um covarde, e que jamais a ajudaria.

John finalmente voltara, estava ofegante sem nada em mãos. Ele havia decidido ter o filho, percebeu que poderia tentar arriscar constituir uma família, e que faria o possível para que conseguissem viver bem. Todo aquele sentimento de culpa o matava por dentro. Quando John adentra o apartamento de Mary depara se com a imagem de sua namorada pendurada ao ventilador. John fica estupefato, seus olhos tentam não acreditar no que vê. Seu coração acelera de forma assustadora. Seus olhos lotavam-se de lágrimas e logo caiu aos prantos.

Seus pés não tocavam mais o chão, seu pescoço sangrava. Seu corpo ainda estava quente, mais seu coração havia parado há poucos minutos. Mary havia se suicidado.

19 outubro, 2009

Recomeço diário

A noite chega e o dia recomeça em minha cabeça. Revivo cada momento acrescentando ação, comédia e às vezes terror. Observando as possibilidades, coincidências, erros e acertos. É uma espécie de filme diário da sua vida, mas você é só o telespectador assistindo à sua própria atuação. A insônia não te deixa mudar de canal, o seu curta-metragem é a única coisa que te distrai. Não se pode mudar o que realmente aconteceu, mas de alguma maneira essa inércia lhe prende a atenção. Os minutos são longos, o tempo não passa, o filme se repete constantemente; mas pra você tudo é novo. Os detalhes são notados lentamente, e surpreendem a todo tempo. O filme recomeça com um tom diferente, mais lento; enfim a inconsciência apaga a luz.

13 outubro, 2009

Cheirava a indignação

O andarilho voltara.
Essa era a noticia que corria pela cidade. E logo os comentários foram crescendo. Espalhando-se furiosamente. Com passos firmes e rápidos, ele andava por entre todas aquelas pessoas com um sorriso perturbador no rosto, como se estivesse dizendo: "eu os matei e faria tudo de novo".
As lembranças da realização de sua vingança o cegavam de prazer.

As pessoas olhavam com medo e curiosidade.
Algumas fechavam a janela o mais rápido que podiam, outras pegavam suas crianças desesperadas, fugiam. Ele continuava a andar sem medir passos, esbarrando nas coisas como se não estivesse as vendo ali. Alguns curiosos fitavam-no de longe, queriam decifrá-lo, afinal os comentários eram muitos e todos queriam saber o que havia realmente ocorrido com ele. Mal sabiam que ele voltara de uma longa jornada de vingança, sangue e devastação.

Enquanto ele passava, estranhamente, aqueles que se atreviam a olhá-lo viam passar em suas retinas as frescas imagens dos fatos ocorridos anteriormente.
O andarilho a chegar em uma cidade aparentemente normal, com casas mal construídas, e pessoas a correr pela rua. Viram-no adentrar um bar com fúria, todos os presentes agora olhavam para ele, com um ar de desconfiança e receio. Havia chamas em seus olhos, a expressão em seu rosto denunciava toda a sua raiva. Ele procurava o tal Hipócrita, cheio da soberba. Algumas pessoas intimidadas apontavam a direção ao andarilho.
Agora os dois encaravam se. A sala logo ficou vazia, sobrando apenas o cheiro forte de suor e bebida a infestar o local.

Um forte flash estourou em suas mentes, a expressão de medo agora invadira as suas faces. E a única coisa que ouviram ao afastar se foi o barulho da soberba voando pelos ares.
O andarilho havia partido, mas no ar ainda residia aquele cheiro de sangue fresco e ódio.

12 outubro, 2009

Ordem natural das coisas

Pés no chão,
Lâmpada no teto,
Relógio na parede

Pés em movimento, música contagiante,
Instinto predominando, pensamentos distantes

Pés no alto, alegria concreta,
Euforia completa, um pulo qualquer

Corpo no chão, dor indiferente,
risos no ar, um tombo sem querer

Pés no chão, sujeira no chão,
vassoura na mão, começa o dever

Lâmpada no teto, lâmpada apagada,
a escuridão predomina, um coração dispara

Relógio na parede, o tempo passa lentamente,
tudo fica imóvel, a tensão é latente

Coragem no chão,
Medos no teto,
Imaginação na parede

Coragem em movimento, silêncio contagiante
Instinto predomina, pensamentos distantes

Imaginação na parede, os devaneios começam,
A tensão se quebra e os medos terminam

Pés no chão, relógio na mão, o instinto a domina
Pés correndo, relógio no ar, tudo ao mesmo tempo, a lâmpada cai
Enfim tudo se quebra.

10 outubro, 2009

Bingo!

Desejos e idéias reunidos em quatro mentes diferentes. Ideais de longa data prontos para serem expostos. Um nó na garganta pronto para ser desfeito. Naquele momento, planos e possibilidades preenchiam nossa imaginação. Sabíamos tudo que tinha que ser dito, mas a proximidade da hora apagava lentamente nossa memória.
Risos de desespero, nervosismo e muitos devaneios nos faziam companhia. Enfim é chegada a hora.
O compreensivo, a novata, a quebra-galho, o “amigão”, o indiferente e o extremamente irônico; quase todos estavam lá. Os líderes da semana, agora todos juntos. Mesmo com exceções, o ar dissimulado e hipócrita era forte, insuportável. Os olhares nos fitavam de maneiras distintas, desde a indagação até o cinismo. Isso era irritante e perturbador ao mesmo tempo.
Chegamos atrasadas, ninguém nos ouviria. Estávamos em uma espécie de jogo em que os números são prioridade. Esse, definitivamente, era o único interesse daquelas pessoas. Queríamos reivindicar algo importante, mas não importante o bastante para que toda aquela burocracia nos ouvisse. O nosso erro foi esperar e o deles foi nos limitar. Somos números, e perante a sociedade nunca sairemos dessa condição. Somos números, por favor, alguém grite “Bingo!”

07 outubro, 2009

Teatro do acaso

É sobre essa ideia de desconstruir o real. Reconstruir a trajetória.
Observar o que "não" deveria estar ali, e dar significado a eles.
Eles viram a cidade crescer, a tecnologia padronizar e o capitalismo dominar.
Eles viram tudo, mas nem todos os viram.
Enquanto um tem a fama o outro tem a história.

Entre algumas discussões sobre o que fazer com uma máquina, algumas divergências,
Avenidas conhecidas e praças movimentadas, eles nos viram.
Dentre todos aqueles esquecidos também os avistamos.
Em meio a todo aquele caos, eles permaneciam como cinzas ao vento.
Fixos e sem nenhum nexo. Presos ao segundo plano.

Procurávamos algo diferente, complexo,
Mas a essência era o que eles continham, algo além da visão.
Todo o peso da verdadeira idade.

Os vimos como uma boa saída, ou melhor uma oportunidade.
Eles nos passaram a inspiração necessaria para todos os nossos devaneios.
Naquele momento prédios antigos pareciam uma boa resposta.

*Trabalho de artes

04 outubro, 2009

Aqui vamos nós...de novo

2 de outubro de 2009. Uma esperança renovada e muitas promessas a caminho.
Vamos analisar a situação e considerar todos os aspectos
As vantagens e desvantagens estão evidentes, as opiniões estão divididas.
Mas nada que discutirmos irá alterar os fatos. Tudo já foi decidido. Então vamos lá.
Vamos reconstruir um estado em menos de sete anos só pra fazer “bonito” para o resto do mundo
Se esse é o único jeito deles investirem, continuaremos.
Porém sejamos conscientes, essa não é a primeira vez.
Abra os olhos, não se iluda.
Essa não é a salvação.



"Ó Cristo Redentor, braços abertos,
Não deixe o som dos tiroteios sufocar nossos versos "
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Maldita ética

Insultos cuspidos, suposições inúteis, acusações infantis.
Adjetivos toscos e pronome errado.
Visto de longe se assemelha a uma seta apontando para a direção contraria
Visto de perto logo se reconhece o caminho,
inevitavelmente é o mesmo que todos usaram
Na verdade é só um atalho, mas é impossível provar.
É irritante tentar provar.
Quem sabe um dia seu ego adormece e sua consciência te mostra a verdade.

03 outubro, 2009

Revolução

(latim revolutio, - onis).
  1. Fig. Revolta, sublevação.
  2. Mudança brusca e violenta na estrutura econômica, social ou política dum Estado.
  3. Reforma transformação, mudança completa.
  4. Perturbação moral, indignação, agitação.
  5. Náusea repulsa, nojo.
  6. Modificação em qualquer ramo do pensamento humano